Marco António foi desafiado para se candidatar a Gaia, mas recusou

Passos Coelho foi informado da sondagem ao vice-presidente do PSD que não pretenderá num futuro próximo desempenhar funções executivas.

ADRIANO MIRANDA
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ADRIANO MIRANDA

Marco António Costa, o primeiro-vice-presidente do PSD, é o nome que o partido gostaria de ver a liderar a candidatura do partido à Câmara de Gaia, nas eleições autárquicas deste ano, mas o deputado, que terá ficado surpreendido com a abordagem, já disse estar indisponível para avançar.

O presidente do partido, Pedro Passos Coelho, foi, segundo garantiram ao PÚBLICO, informado da decisão de desafiar o vice-presidente para protagonizar uma candidatura a Gaia.

Depois de em Junho, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, ter apontado o nome de Marco António Costa como o de um bom candidato para a Câmara do Porto, agora foi a vez de um conjunto de militantes da distrital e concelhia manifestarem o desejo de ver o vice-presidente do partido liderar a lista à Câmara de Gaia, uma autarquia que conhece bem e da qual já foi vice-presidente, com a responsabilidade do pelouro financeiro, entre 2005 e 2011.

Com Luís Filipe Menezes aparentemente fora da corrida autárquica, o deputado e vice-presidente do PSD é apontado como a “pessoa mais bem colocada para conquistar de novo a câmara para o PSD”. De resto, a condecoração com que foi distinguido, em Julho do ano passado, por parte do actual presidente da câmara, o socialista Eduardo Vitor Rodrigues, que lhe atribuíu a medalha de mérito profissional, e as óptimas relações que Marco António mantém com a região são vistos como pontos a seu favor para entrar na corrida autárquica.

Num recente encontro das concelhias do PSD do distrito, Cancela Moura, líder do PS-Gaia, surpreendeu toda a gente ao revelar que o candidato do partido à câmara seria alguém da Comissão Política Nacional e todos pensaram em Marco António Costa, que terá afirmado não estar disponível para desempenhar funções executivas num futuro próximo. Assim sendo, os sociais-democratas da margem esquerda do rio Douro vão ter de encontrar um rosto para Gaia e não é de excluir que a solução passe pelo actual líder da concelhia, o advogado Cancela Moura. A concelhia tem até ao final do mês para anunciar o nome do candidato que vai disputar as eleições com Eduardo Vitor Rodrigues.

O perfil do candidato â Câmara Gaia foi discutido na segunda-feira numa reunião da concelhia, que aprovou um “acordo de princípio de coligação com o CDS”. No distrito do Porto estão em aberto 14 coligações de sociais-democratas e democratas-cristãos.

O PÚBLICO contactou o presidente da concelhia de Gaia, Cancela Moura, e o coordenador autárquico distrital, Adriano Rafael, para saber se o nome de Marco António estava em cima da mesa, mas ambos recusaram fazer declarações sobre assunto. “Janeiro é o mês das concelhias às quais cabe pronunciarem-se sobre o processo autárquico. O que foi aprovado em Outubro, por proposta minha, numa reunião da comissão politica alargada, é que até ao final de Janeiro todos os processos decorriam junto das concelhias. Depois de Janeiro, já posso ser o interlocutor com mais informação”, afirmou Adriano Rafael.

O coordenador autárquico recusou emitir qualquer opinião sobre as escolhas que o partido está a fazer. Esse foi também o entendimento de Cancela Moura, que remeteu qualquer posição para o comunicado da concelhia (de 5 de Janeiro) no qual o dirigente sublinha que “não fará quaisquer declarações sobre as escolhas autárquicas fora do quadro legal e estatutário e do calendário eleitoral definido pelos órgãos próprios do partido, se não e apenas, quando as decisões forem definitivas, auscultando sempre os militantes nos momentos estatutariamente previstos”.

Um dirigente social-democrata lamentou, em declarações ao PÚBLICO, que Marco António não queira ser candidato, porque “ganharia a câmara”. “Faz mal em não ajudar o partido, esta era uma boa oportunidade para ele se afirmar, porque ganhava credibilidade e legitimidade perante partido”, afirma a mesma fonte, apontando os exemplos de” Santana Lopes e de Luís Filipe Menezes, que não tiveram medo, foram a votos e ganharam”.

O PÚBLICO tentou ouvir o vice-presidente do partido, mas Marco António Costa não respondeu aos pedidos de contacto.