Secretário de Estado de Trump receia que o Irão compre uma bomba nuclear

Rex Tillerson apoia a manutenção de sanções contra a Rússia por causa da Crimeia, mas recusa-se a classificar Putin como "criminoso de guerra".

Rex Tillerson foi submetido a um interrogatório por vezes agressivo
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Rex Tillerson foi submetido a um interrogatório por vezes agressivo Jonathan Ernst/REUTERS

Rex Tillerson, escolhido por Donald Trump para ser o próximo secretário de Estado norte-americano, afirmou ser a favor de “uma revisão completa” do acordo nuclear com o Irão. Embora o documento impeça o Irão de desenvolver bombas atómicas, o que o preocupa é a capacidade de Teerão comprar uma arma nuclear, que não está previsto no acordo.

A audiência de confirmação para o cargo a que se submeteu esta quarta-feira no Senado Tillerson, ex-director-geral da petrolífera Exxon Mobil, foi dura, com muitas questões centradas na Rússia. À frente da Exxon, estabeleceu ligações ao Kremlin, e a empresa fez lobbying para que fossem levantadas as sanções contra Moscovo, depois da anexação da Crimeia. O tema surgiu várias vezes na sessão.

Tillerson tentou dizer as coisas certas: afirmou que é a favor de manter as sanções contra a Rússia, e que os países da NATO mais próximos de Moscovo têm razão em sentirem-se ameaçados. Mas recusou classificar Vladimir Putin como um "criminoso de guerra" devido às acções da Rússia na Síria. “Não usaria esse termo”. O texano de 64 anos disse ainda que há “boas hipóteses” de Putin estar a par dos esforços para interferir nas eleições dos EUA. 

Sobre o restabelecimento de relações com Cuba, Tillerson deu sinal de uma marcha atrás: afirmou que quer analisar se a nação comunista do Caribe deveria mesmo ter sido retirada da lista de países que promovem o terrorismo. Sobre o México - e a promessa do Presidente eleito de construir um muro para impedir a imigração ilegal -, garantiu que continua a ser vital para os EUA: "Vamos envolver-nos com o México, um amigo de longa data dos EUA, por causa da importância que tem para nós neste hemisfério."

 Tillerson respondeu também a questões sobre o aquecimento global. A matéria é relevante, porque a maior petrolífera do mundo, que dirigiu desde 2006, financiou desde a década de 1990 dezenas de lobbies cujo objectivo era desacreditar a ciência que estuda as alterações climáticas, como revelou uma investigação de várias entidades em 2015.

Trump disse que iria tirar os EUA do Acordo de Paris para limitar as emissões de gases com efeito estufa. No Senado, Tillerson disse que as alterações climáticas existem. Mas não reconheceu o papel da actividade humana. “O aumento de gases com efeito de estufa na atmosfera está a ter feitos. A nossa capacidade de prever esses efeitos é muito limitada.”