Um congresso para mostrar o que há de novo nos estudos pessoanos

Promovido pela Casa Fernando Pessoa, o IV Congresso Internacional Fernando Pessoa vai reunir na Gulbenkian, de 9 a 11 de Fevereiro, 42 investigadores, de pessoanos consagrados a jovens doutorandos

ENRIC VIVES-RUBIO / PUBLICO
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ENRIC VIVES-RUBIO / PUBLICO

Quando Fernando Pessoa diz “eu”, o que significa esta palavra? E que implicações tem este “eu” na sua obra? Estas são algumas das questões que António Feijó, Fernando Cabral Martins e Richard Zenith vão discutir na sessão de abertura do IV Congresso Internacional Fernando Pessoa, que começa a 9 de Fevereiro no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian.

Uma das novidades deste encontro, organizado, como os anteriores, pela Casa Fernando Pessoa, é justamente a opção de substituir as habituais conferências de inauguração e encerramento por “mesas de discussão”. “A ideia é que não haja comunicações escritas, mas apenas um tema que se pretende ver discutido em tempo real”, explica a directora da Casa Fernando Pessoa, Clara Riso.

E o elenco desta mesa inicial parece pensado para assegurar o sucesso da experiência. Feijó publicou um livro recente que discute a questão da impessoalidade pessoana em termos francamente inovadores – Uma Admiração Pastoril pelo Diabo (Pessoa e Pascoaes) –, Zenith é reconhecidamente um dos grandes pessoanos actuais, estando há anos a trabalhar numa nova biografia do autor, e Fernando Cabral Martins, coordenador do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, é uma reconhecida autoridade no movimento lançado por Pessoa e a Sá-Carneiro.

E todos eles têm leituras globais muito próprias do “fenómeno” Pessoa, como as têm Eduardo Lourenço e José Gil, talvez não por acaso escolhidos para outra “mesa de discussão”, esta dedicada ao tema Fernando Pessoa ou o labirinto do espaço interior.

As outras duas mesas tratarão dos contemporâneos de Pessoa (debate a cargo de Gustavo Rubim e Helder Macedo) e da própria história dos congressos pessoanos, tema que encerrará os trabalhos no dia 11 e que será discutido por três intervenientes que estiveram directamente envolvidos, no final dos anos 70, nos primeiros colóquios internacionais dedicados ao poeta: Arnaldo Saraiva, que fundou o Centro de Estudos Pessoanos no Porto e co-dirigiu a revista Persona, Fernando Martinho e José Blanco.

As restantes sessões terão um formato convencional, com um tópico comum a ser tratado por três oradores sucessivos e um posterior debate conduzido por um moderador. Na tarde de dia 9 serão abordados o Pessoa filósofo, o Pessoa cosmopolita e o Pessoa livre; no dia 10 falar-se-á de Pessoa nos outros, de Pessoa e arquivo, e ainda do Pessoa classicista; no último dia, discutir-se-á Pessoa entre culturas, o Pessoa dramático e o Pessoa crítico.

Primeiro congresso organizado desde que Clara Riso assumiu a direcção da Casa Fernando Pessoa – os de 2008, 2010 e 2013 foram promovidos durante o consulado de Inês Pedrosa –, a lista de participantes mostra a vontade de cruzar pessoanos portugueses e estrangeiros já amplamente consagrados com jovens doutorandos que estão agora a começar os seus trabalhos de investigação sobre o poeta.

Uma opção que, associada à decisão de evitar sessões simultâneas, obrigou a alguma limitação do número de participantes, reconhece Clara Riso, acrescentando que a comissão organizadora, que partilha com António Cardiello, Mariana Gray de Castro e Pedro Sepúlveda, “tentou encontrar pessoas que estão neste momento a desenvolver investigação nova sobre Fernando Pessoa”.

A ausência mais notória é talvez a do colombiano Jerónimo Pizarro, um dos mais importantes e prolíficos investigadores e editores de Pessoa, que foi convidado mas não poderá estar presente. O italiano Patricio Ferrari ou o alemão Steffen Dix são outras presenças habituais destes congressos que não participarão no encontro da Gulbenkian.