Opinião

A resolução que significa o bem para todos na Terra Santa

Foi uma vitória para todos os povos amantes da paz, incluindo os israelitas que nunca aceitaram render-se às mentiras e alegações de Netanyahu.

Durante as últimas décadas, os palestinianos fizeram inúmeros apelos à ONU e ao seu Conselho de Segurança para respeitarem os deveres da sua Carta, pela proteção dos civis durante a guerra e pela inadmissibilidade aquisição de terra pelo uso da força, como consta na Resolução 242 de 1967 e outras, mas todos caíram em ouvidos moucos.

Israel, o poder ocupante, nunca foi confrontado ou indiciado por uma única das suas atrocidades contra os palestinianos sob a sua ocupação. Pelo contrário, Israel continuou a receber o apoio incondicional das democracias ocidentais e foi protegido pelo poder de veto norte-americano, exercido mais de 40 vezes a favor de Israel. Por sua vez, os palestinianos, sob ocupação, foram constantemente incitados, pelas mesmas democracias, a renunciar ao seu direito, internacionalmente reconhecido, de resistir ao ocupante para garantir a sua segurança.

Esta atitude contribuiu tremendamente para encorajar Israel a comportar-se como um Estado acima do Direito Internacional.

Após 36 anos de paralisia, o Conselho de Segurança decidiu, a 23 de Dezembro de 2016, tomar uma posição de acordo com os seus princípios adotando a resolução 2334, que afirma que os colonatos "não têm validade jurídica e constituem uma flagrante violação do Direito Internacional", e convida a Comunidade Internacional a "distinguir, nas suas relações relevantes, entre o território do Estado de Israel e os territórios ocupados desde 1967".

De facto, esta resolução não tem efeito tangível no terreno, excepto fazer Israel “pôr os pés na Terra” para que se comporte como um país normal e ofereça mais espaço respirável aos palestinianos, após cinco décadas de sufocação sob a mais imoral ocupação militar. Apesar de tardia, esta é uma tentativa responsável da administração de Obama de reavivar o caminho para a paz e preservar a solução de Dois Estados, solução que tinha sido anulada pelas autoridades israelitas, que afirmaram que "a solução de dois Estados está morta" e "não haverá Estado palestiniano", acrescentando a isto o roubo de terra para construir colonatos.

Em muitas ocasiões adverti para a animosidade de Netanyahu para com a paz, claramente expressa no seu livro A Place Among the Nations (1993).

Essa animosidade foi também expressa na mais recente reação histérica de Netanyahu, quando, no dia de Natal, convocou enviados dos membros do Conselho de Segurança para os repreender, juntamente com um ataque a Obama, Presidente do aliado estratégico do seu país, e anunciando travar uma guerra contra a ONU e os seus órgãos, esquecendo-se que Israel nasceu do ventre desta organização com a resolução 181 (1947).

Apesar de Netanyahu não conseguir enganar os líderes mundiais com as suas alegações e truques anti paz, no seio da sociedade israelita, infelizmente, conseguiu incutir um crescente medo e racismo, garantindo assim a sua eleição por quatro vezes. Ou seja, Netanyahu conseguiu, após quatro mandatos, fazer com que o único inimigo de Israel fosse o próprio Israel.

Esta resolução foi uma vitória para todos os povos amantes da paz, incluindo os israelitas que nunca aceitaram render-se às mentiras e alegações de Netanyahu.

Em nome desses israelitas e de todos os palestinianos, sinto-me na obrigação de agradecer aos 15 membros do Conselho de Segurança, Estados Unidos inclusive, pois agiram em linha com o resto das nações do mundo, com constantes apelos para a materialização da solução de Dois Estados.

O Conselho de Segurança, ao adoptar a resolução 2334, tem boas intenções perante todos os moradores da Terra Santa (judeus, cristãos e muçulmanos), redirecionando a bússola do mundo para acabar com a ocupação militar israelita do Estado da Palestina e estabelecer uma paz e estabilidade, a longo prazo, na região do Médio Oriente e mais além.

Agora para a plena realização desta resolução será necessário que o Presidente norte-americano eleito, Trump, tome o partido da Carta da ONU, que é, segundo Dean Acheson (ex-secretário de Estado), uma "versão condensada da constituição norte-americana".

Sugerir correcção