Flexibilidade é a nova ordem do trabalho

É nos sectores com picos de produção que há mais flexibilidade de horário, mas as tecnológicas estão em destaque.

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Mara Carvalho

Cada empresa é um mundo, mas Nélia Câmara, gerente da consultora Mercer (que, contando com centro de serviços partilhados, tem mais 200 colaboradores em Portugal), diz que cada vez mais o tempo de trabalho é flexível. As novas gerações querem gerir o seu tempo, trabalhar por projecto, livres de um horário das 9h às 18h. Nesse cenário, um mecanismo legal que proteja os trabalhadores de serem contactados fora de horas “seria um obstáculo à flexibilidade”.

Estar ligado é uma necessidade “para quem tem cargos de liderança”, mas Nélia Câmara sustenta que “há pessoas que não precisam de estar sempre a olhar para o telefone”. “Quando há flexibilidade, podemos ter colaboradores a trabalhar às sete da manhã e outros às dez da noite”, defende. Este modelo, que a Mercer implementa nos seus escritórios, “não significa que as pessoas estejam conectadas 24 horas por dia. “Se surgiu qualquer coisa atípica e é preciso alguém trabalhar, não se está à espera que a pessoa esteja atenta aos e-mails. Alguém liga e comunica. Se não puder outra pessoa poderá pegar”, continua.

Os sectores onde há mais apetência para um dia-a-dia de trabalho sem controlo de horas são os que, tipicamente, têm picos de produção e as empresas de tecnologia. “Encontramos estes modelos na hotelaria, nas consultoras, nas farmacêuticas, com modalidades diferentes, desde um banco de horas, à possibilidade de trabalhar em casa ou remotamente. Mas é na área digital que há mais flexibilidade”, diz.

“Aqui sabemos que temos um pico de trabalho de Outubro a Dezembro e que teremos de estar mais conectados durante mais horas do que é normal, mas acumulamos nos créditos de horas que depois usamos da melhor forma”, exemplifica.