Crónica

Paulo pronto-socorro

Há um ano, Mathias Walkner era um dos principais candidatos à vitória no Dakar. Caiu pouco depois de iniciar mais uma etapa e atrás de si vinha Paulo Gonçalves. O piloto português da Honda era o líder da prova, mas nem hesitou. Parou de imediato e foi socorrer o seu colega de profissão e adversário e prestou-lhe auxílio até que a equipa médica chegasse ao local. A camera estava lá e a imagem percorreu o mundo, mostrando que numa prova como o Dakar há valores que estão muito para além das vitórias e das derrotas. A atitude valeria mais tarde a Paulo Gonçalves o Prémio Ética no Desporto atribuído pelo IPDJ.

Nesta quarta etapa foi mais uma vez Paulo Gonçalves quem parou para assistir Toby Price, o vencedor do Dakar no ano passado. O piloto australiano da KTM liderava a etapa quando foi vítima de uma queda que o forçou a abandonar. Claro que o tempo que ali esteve parado vai ser descontado a Paulo Gonçalves no final da etapa e faz parte das regras da prova que os pilotos parem nestas circunstâncias, mas nada disto ofusca o gesto porque o Paulo pararia de qualquer forma.

Uma das características do Dakar é este espirito de entreajuda. Umas vezes ajudamos, outras somos ajudados. No fundo, é preciso saber em que situações é ou não viável tentar ajudar e nas quais seremos efectivamente uma ajuda.

Obviamente que em caso de acidente a história já é outra e aí a intenção é mesmo ajudar, seja em que circunstância for e seja lá quem for.