PAN quer alargar candidaturas nas autárquicas

O partido Pessoas–Animais–Natureza tem eleições internas agendadas para o dia 22 de Janeiro.

Partido quer reforçar posição nas eleições autárquicas
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Partido quer reforçar posição nas eleições autárquicas Nuno Ferreira Santos

O V congresso do Pessoas–Animais–Natureza (PAN) decorre no próximo sábado sob o mote "ousar, prosseguir, consolidar um projecto para todos", tendo como objectivo nas próximas autárquicas alargar as candidaturas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e em capitais de distrito.

Depois de nas eleições legislativas de 2015 ter conseguido eleger pela primeira vez um deputado à Assembleia da República, o PAN tem a sua reunião magna marcada para todo o dia de sábado, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, estando as eleições internas agendadas para dia 22 de Janeiro.

Na moção global de estratégia intitulada “ousar, prosseguir, consolidar um projecto para todos" – a única que vai a congresso e da qual o deputado do PAN, André Silva, é um dos subscritores – o partido “assume que as próximas eleições autárquicas são importantes para ampliar a voz”.

O PAN “revê-se em candidaturas de movimentos cívicos que se mostrem disponíveis para posições convergentes e inclusivas, bem como no envolvimento de cidadãos independentes em candidaturas próprias”, tendo como objectivo “alargar de forma sustentável as suas candidaturas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e em várias capitais de distrito”.

O partido quer ainda “aumentar a sua representação nos municípios e freguesias com programas que abordem temas que são normalmente esquecidos e com uma acção centrada no estabelecimento de pontes e confluência com todas as forças partidárias”.

Para o PAN, “a eleição de um deputado foi um feito histórico na política nacional pois há 17 anos que não entrava uma [nova] força política no Parlamento português”, destacando que o partido “não se circunscreve nem se revê na tradicional categorização dicotómica esquerda versus direita”.

Francisco Guerreiro, um dos porta-vozes do PAN, explicou que a única moção global que vai a congresso resultou de um debate interno prolongado, uma vez que o texto esteve disponível numa plataforma e todos os filiados – cerca de 900 – puderem fazer sugestões, comentários ou propostas.

Na moção apresentada em congresso – cuja sessão de encerramento é feita pelo porta-voz e deputado, André Silva – é assumido que se aproximam “tempos muito desafiantes para o PAN”, observando que a eleição de um deputado nas últimas legislativas “significa que os cidadãos estão desacreditados da alternância partidária e que o PAN é uma alternativa ética”.

No texto, o partido refere ser o primeiro “vocacionado para o século XXI e a propor uma visão holística e integrada dos diferentes ecossistemas”, defendendo que a “luta contra todas as formas de discriminação, opressão e exploração do ser humano pelo ser humano deve ampliar-se aos animais e à defesa da natureza e do meio ambiente”.

Segundo a moção, “os governos de esquerda, de centro e de direita não conseguiram até agora conceber modelos económicos que não exijam níveis extremamente elevados de extração de recursos finitos, geralmente com um custo ecológico e humano gigantesco”.

“O objectivo do crescimento económico ilimitado (…) está a colocar em risco a qualidade e mesmo as possibilidades de vida das gerações presentes e futuras de inúmeros seres humanos e animais”, alertam, referindo que “o planeta está com febre”.