Costa "confundiu os críticos" e superou as expectativas, avalia o Financial Times

Num rescaldo do primeiro ano do Governo socialista, o jornal britânico diz que, apesar de todos os receios, Costa atingiu níveis de popularidade que outros líderes europeus "apenas podem sonhar".

Foto
Nuno Ferreira Santos

“Um ano depois, António Costa regista níveis de popularidade que outros líderes de centro-esquerda na Europa apenas podem sonhar”. Esta é uma das conclusões do Financial Times (FT) em relação ao primeiro ano de governação do PS, afirmando que a solução governativa em Portugal que tomou posse em Novembro de 2015 superou todas as expectativas.

O artigo do jornal britânico, assinado pelo correspondente em Lisboa, o jornalista Peter Wise, parte de declarações de Pedro Passos Coelho, quando o presidente social-democrata falou de “uma casa em chamas”, para afirmar que, até agora, “não houve fogo” e que a “sua [de António Costa] aliança anti-austeridade” manteve-se “firme”. Isto apesar do cepticismo do líder da oposição, dos credores internacionais, dos mercados financeiros e das agências de rating.

Estas dúvidas em torno de Costa centram-se, segundo o FT, principalmente no modesto crescimento económico que é “muito pouco para tornar sustentável a dívida pública em excesso de 130% do PIB”, e a fragilidade do sector bancário. Porém, o primeiro-ministro português tem “indubitavelmente registado um desempenho que superou as previsões iniciais para o seu Governo de minoria socialista, que depende dos votos parlamentares dos radicais do Bloco de Esquerda e da linha dura do Partido Comunista”.

E para a superação destas expectativas contribuiu, recorda o diário financeiro, a aprovação de dois Orçamentos do Estado por Bruxelas e o facto de ter evitado sanções da Comissão Europeia pelo Procedimento por Défice Excessivo. Défice esse que, segundo as previsões do FMI, ficará “confortavelmente abaixo dos 3%”, o “nível mais baixo em 42 anos de democracia”.

O FT sublinha ainda que o desemprego passou dos 12,6% para cerca de 10%, tendo sido criados 90 mil novos postos de trabalho, de acordo com as estimativas do Governo. Também em relação ao investimento os primeiros receios não se confirmaram: “Nem mesmo a pressão da esquerda para reestruturar a dívida ou endurecer as leis laborais tem assustado as grandes companhias estrangeiras incluindo a Volkswagen, a Continental e a Bosch, que aumentaram o seu investimento”.

Costa conseguiu atingir os actuais níveis de popularidade e resultados no consumo privado devido, em grande parte, à reversão “das medidas de austeridade durante o programa de ajustamento em 2011-2014. Agiu rapidamente para recuperar os orçamentos do sector público, horário laboral, férias e pensões estatais para os níveis pré-resgate", escreve o FT.

No entanto, e citando o economista-chefe da Berenberg, Holger Schmieding, “infelizmente, esta é a forma errada para atrair investimento suficiente para colocar a economia a crescer a um ritmo próximo de, por exemplo, Espanha“, avisa o FT.

Sugerir correcção