PSD diz que "não está desiludido" com a mensagem nem com actividade de Marcelo

Partidos reagem à mensagem de Ano Novo do Presidente da República

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José Matos Correia falou na sede do PSD Miguel Manso
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RG RUI GAUDENCIO

O PSD escolheu sublinhar os avisos que o Presidente da República deixou para 2017 na mensagem de Ano Novo - nomeadamente sobre a necessidade de a economia crescer mais - e suavizou o tom optimista. José Matos Correia, presidente do Conselho Estratégico do PSD, garantiu no entanto que o partido "não está desiludido com a mensagem nem com a actividade do Presidente da República".

Numa declaração na sede do partido, José Matos Correia recusou admitir que o PSD se sinta atingido com algum recado de Marcelo Rebelo de Sousa. "O Presidente  tem tido um comportamento desejável de quem está acima dos partidos", afirmou o presidente do Conselho Estratégico, órgão consultivo do líder do partido, referindo como positivo "o elogio das capacidades nacionais" que Marcelo faz, designadamente no processo de eleição de António Guterres.

José Matos Correia assinalou como "problemas de extrema seriedade" o fraco crescimento económico, a elevada dívida pública e a justiça lenta, questões que o Presidente apontou na mensagem de Ano Novo difundida esta noite. "No que depender do PSD estamos disponíveis para fazer uma oposição que tenha em conta estas preocupações. O caminho a seguir é, em muitos aspectos diferentes do que o que foi seguido este ano", afirmou o dirigente social-democrata, criticando o crescimento económico atingido: "Aquilo que temos é muito poucochinho". Um qualificativo que o próprio primeiro-ministro António Costa usou sobre os resultados eleitorais alcançados pelo ex-líder do PS António José Seguro.

"Poucochinho" também para o CDS

O adjectivo foi também usado pelo vice-presidente do CDS, Nuno Melo, para sublinhar as preocupações manifestadas por Marcelo Rebelo de Sousa. “O crescimento económico em 2016 será poucochinho menos do que o conseguido pelo anterior Governo”, afirmou o dirigente, referindo também a dívida pública elevada. Essas “são marcas de uma governação falhada”, concluiu. Mas Nuno Melo foi mais longe do que o PSD na partilha das preocupações do Presidente e apontou uma omissão no discurso. “Bem podia o Presidente ter alertado para o aumento dos impostos indirectos”, disse, desvalorizando o tom optimista da mensagem. “Temos a quadra natalícia, vêm aí os Reis é normal que tenha uma mensagem apaziguadora”, afirmou.

Já o socialista Porfírio Silva, membro do secretariado nacional, registou que o “espírito positivo claramente evidenciado pelo Presidente da República é um incentivo à continuação do trabalho”. “Não está tudo feito. Temos de continuar”, afirmou aos jornalistas na sede do PS em Lisboa. Questionado sobre a leitura que faz da necessidade de o Governo fazer uma “gestão a prazo”, Porfírio Silva não quis pronunciar-se directamente: “O Presidente da República fez uma intervenção muito rica, precisaríamos de horas para fazer a hermenêutica. Fizemos muito e temos muito para fazer”.

BE insiste na reestruturação da dívida

Pelo PCP, Manuel Rodrigues disse ter registado as preocupações do Presidente no sentido de alcançar uma maior justiça social, mas reafirmou a posição do partido contra a Europa. “Não é possível um tal crescimento sem que se rompa com os constrangimentos à União Europeia, sem que se rompa com a submissão que impede a renegociação da dívida, e sem que a banca seja nacionalizada”, defendeu.

A reestruturação da dívida foi também colocada como uma “necessidade absoluta” pelo BE. Pedro Soares concorda com a ideia do Presidente de que “há muito a fazer”. “É certo que assim é. "A referência do Presidente da República sobre o muito que há a fazer na dívida pública transporta-nos para a necessidade de colocar em cima da mesa a reestruturação da dívida e as próprias regras do euro, que são desajustadas da nossa e da maior parte das economias do sul e têm-nos empobrecido", afirmou.

O deputado considerou que a mensagem foi no bom sentido mas que não valorizou a importância das medidas tomadas pelo actual Governo. “O Presidente da República disse que 2016 foi o ano da gestão imediata, mas é preciso dizer que foram dados passos muito importantes no caminho certo e que romperam com as políticas do Governo anterior”, disse à Lusa.