Conselho de Arbitragem da FPF apresenta queixa contra Costinha

Treinador da Académica lançou suspeitas sobre o favorecimento de adversários na II Liga.

A Académica de Costinha segue no quinto lugar da II Liga.
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A Académica de Costinha segue no quinto lugar da II Liga. AFP/FRANCISCO LEONG

Apenas dois dias depois de o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), José Fontelas Gomes, num artigo de opinião do PÚBLICO, ter indicado que aquele organismo ponderava “sugerir o agravamento das sanções” relacionadas com “ofensas e levantamento de suspeitas da conduta dos árbitros”, o CA fez uma participação ao Conselho de Disciplina (CD) na sequência das declarações de Costinha, treinador da Académica, sobre a derrota dos estudantes na última jornada da II Liga, frente ao Vitória de Guimarães B, por 1-2.

“Não foi uma arbitragem, foi ladroagem”, declarou o técnico da Académica na quinta-feira, na conferência de imprensa de antevisão do encontro com o Sporting B.

Costinha deixou ainda no ar a suspeita de favorecimento: “Está a ver-se muito bem quem são as equipas financeiramente fortes, não só em ordenados, e que conseguem dar algo que a Académica, o Cova da Piedade ou o Santa Clara não conseguem dar”.

A Académica segue actualmente em quinto lugar na II Liga, a 19 pontos do Portimonense e a 15 do Desportivo das Aves. Santa Clara e Cova da Piedade ocupam o terceiro e quarto lugares, respectivamente.

“Não tenho a mania dos fantasmas, olho para as arbitragens e admito que os árbitros se possam enganar. Agora, quando as equipas adversárias também ficam perplexas com aquilo que vêem, é sinal de que há algo de errado”, disse o técnico.

Na participação, a que está associado o vídeo da conferência de imprensa, o CA considera que as declarações de Costinha assumem extrema gravidade e lesam a honra, dignidade e integridade das equipas de arbitragem.

Na quarta-feira, José Fontelas Gomes insistiu na necessidade da defesa da arbitragem. “Infelizmente, muitos treinadores e dirigentes continuam a bater na tecla do desempenho do árbitro para explicar derrotas ou empates frustrantes. Este tipo de discurso pode levar a crer que a arbitragem portuguesa é medíocre. Quem, como nós, analisa o trabalho dos árbitros em todos os jogos, sabe que não é assim”, escreveu o actual líder da arbitragem na FPF.