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Alzheimer: retratos de vidas esquecidas

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A doença de Alzheimer destrói a vida interior: a memória, a personalidade, as emoções tornam-se cativas da doença e transformam aqueles que amamos em desconhecidos. A condição afecta não só o doente, mas também familiares, amigos, cuidadores, que assistem à progressiva ausência da pessoa sem testemunhar o seu desaparecimento físico. O fotógrafo holandês Alex Ten Napel retratou quarenta idosos de uma residência sénior em busca do "esvaimento" que provoca a doença - tantas vezes associado a uma progressiva perda de dignidade. O que significa viver nesta condição? Ao Huffington Post, Alex explicou que "a desintegração do ser interior atinge o cerne da vida humana". "Toda a nossa experiência é dedicada ao desenvolvimento da nossa personalidade." Então, o que nos resta sem a memória da experiência? "Todos nós conhecemos sentimentos de tristeza, medo, desespero, depressão, alegria, e as pessoas com Alzheimer sentem tudo isso da mesma maneira." A linha de tempo, no entanto, não é articulada e o registo dessas emoções raramente perdura. "O confronto com pessoas que sofrem de demência é asustador porque nos faz questionar a nossa própria vida. Elas mostram-nos que a nossa vida pode evoluir num sentido diferente daquele que esperamos." Alex Ten Naple refere que em muitas instituições os idosos são vistos como um desperdício de recursos, uma vez que não existe recuperação e se trata do mantimento de um corpo, de certo modo, vazio. "'Isso não é vida!' é o que pensam. ". Alex discorda, mas garante não ter tentado embelezar os seus retratos para contrariar essa perspectiva. "A doença de Alzheimer limita-se a mostrar-nos a existência humana sem qualquer adereço", justifica.

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