Morreu a mulher que sobreviveu a explosão de avião e a queda de dez mil metros

Vesna Vulovic foi a única sobrevivente do abate de um avião em 1972 que vitimou 27 pessoas.

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A única sobrevivente a um acidente de avião na antiga Checoslováquia, em 1972, morreu esta quinta-feira aos 66 anos, em Belgrado.

Vesna Vulovic era hospedeira num voo do avião DC-9 das antigas linhas aéreas da Jugoslávia, que explodiu no ar, matando as restantes 27 pessoas que seguiam a bordo. A hospedeira caiu de uma altura de mais de 33 mil pés (cerca de dez mil metros) e aterrou numa montanha de neve, tendo sobrevivido com ferimentos.

A notícia do seu desaparecimento foi dada por um jornal sérvio, sem adiantar a causa de morte. A história milagrosa desta sobrevivente aconteceu a 26 de Janeiro de 1972, quando foi destacada para um voo com destino a Belgrado. Na altura reclamou que não era a sua vez de fazer este trabalho, mas a de uma outra hospedeira também chamada Vesna.

Depois de uma hora de voo, o avião explodiu quando sobrevoava a localidade Srbska Kamenice. Muitos pensaram que Vesna tinha sido cuspida do aparelho, mas a hospedeira ficou dentro de uma parte da fuselagem e protegida por um carro de transporte de comida no momento em que caía em direcção ao chão. Três árvores ampararam a queda daquela secção da fuselagem e a neve também serviu de almofada.  

Foi a maior queda sem pára-quedas registada no livro de recordes do Guinness. As autoridades concluíram que o acidente se deveu à detonação de explosivos que estavam numa mala a bordo. No entanto, em 2009, uma investigação de dois repórteres, feita a partir de Praga, contrariou a versão oficial da história. Os jornalistas avançavam que o aparelho tinha sido abatido, por engano, pela força aérea checoslovaca quando seguia a uma altitude de apenas 800 metros (e não os dez mil veiculados na época, o que ajudaria a explicar o facto de Vesna Vulovic se ter salvado).

No 35.º aniversário do acidente, um bombeiro, Zdenko Kubik, recordou que ouviu um barulho semelhante ao dos caças, olhou para o céu e viu pedaços de fuselagem, objectos e corpos a cair.

Entre passageiros e tripulação, Vesna foi a única que sobreviveu mas sofreu uma fractura no crâneo, partiu as duas pernas e três vértebras, o que a levou a ficar temporariamente paralisada. Não tinha memória do voo ou da queda.