Da solidariedade a uma ginjinha, o Natal frenético de Marcelo

Entre as várias visitas de Natal, Marcelo ainda promulgou um Orçamento do Estado e presidiu a um Conselho de Estado. Uma prenda que não teve e que gostava de ter tido? A vinda definitiva dos netos para Portugal.

Marcelo no centro comercial Colombo, em Lisboa
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Marcelo no centro comercial Colombo, em Lisboa Nuno Ferreira Santos

Quando foi ao centro comercial Colombo, sentado mesmo ao lado da árvore de Natal, com neve a cair e tudo a que a quadra tem direito, o Presidente da República reconheceu logo que a agenda solidária do Instituto Português de Oncologia, que estava a autografar e ajudar a vender, era boa para si, porque era grande, tinha muito espaço para preencher. Ideal para quem tem agendas frenéticas como a sua. Nas duas últimas semanas, o Chefe de Estado não se desdobrou apenas em iniciativas natalícias - e foram várias. Também fez trabalho de gabinete, esteve presente na entrega do prémio de Direitos Humanos a António Guterres, promulgou um Orçamento do Estado em tempo record e presidiu a um Conselho de Estado dedicado às questões europeias.

Na agenda disponível no site da Presidência da República nem sequer estão todos os eventos nos quais o Chefe de Estado participou. A 15 de Dezembro, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu inovar e participar no programa da RTP, o Natal dos Hospitais. Distribuiu beijinhos, recebeu um disco de José Cid. À conversa com os apresentadores Catarina Furtado e José Carlos Malato contou que já teve uma prenda – a eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas –, mas continua a faltar outra que deseja muito: que os netos, que vieram do Brasil passarem o Natal com o avô, lhe digam um dia que vêm definitivamente para Portugal. Marcelo sabe que não acontecerá tão cedo, mas mantém a esperança.

Nesse dia, o Presidente já sabia que da agenda de Natal iria também fazer parte uma visita ao Barreiro: “Descobri que no Barreiro há uma tradição que é, antes do jantar de Natal, se encontram e tomam um copo antes de irem para as respectivas famílias.” E, a 24, lá foi então Marcelo provar uma ginjinha ao Barreiro. Bebeu-a “de uma só vez”, foi o próprio que fez questão de sublinhar que assim é que era, como se pode ver no vídeo disponível na página da Presidência. No fim, o veredicto do professor universitário: “É muito boa.” Marcelo Rebelo de Sousa ainda levou mais para casa.

Um copo às 15h30; às 14h00 já tinha participado na campanha da Cáritas Portuguesa 10 Milhões de Estrelas - um Gesto Pela Paz (uma corrente para se pôr uma vela à janela pela paz, à qual o Palácio de Belém se juntou). E à meia-noite, Marcelo decidiu visitar o Hospital de São José, em Lisboa, onde deixou um bolo-rei para homenagear os profissionais que ali estavam a trabalhar naquele dia.

Marcelo Rebelo de Sousa ainda não estava, nem está cansado. Também participou na festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, em Lisboa. A própria instituição enviou uma nota à comunicação social na qual se lia: “A 28ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz vai ficar lembrada pelas duas visitas de Sua Excelência o Presidente da República, uma delas de surpresa.”

No meio disto tudo, o Presidente tinha ainda de ter tempo para os cumprimentos mais formais desta época, do executivo ao cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, a quem o Chefe de Estado deu as boas festas a 23 de Dezembro. Desengane-se quem pensa que já acabou. Ainda não acabou e, nesta segunda-feira, às 19h30, o Presidente da República ainda participará na festa de Natal da Re-food, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Lisboa, iniciativa que tem como objectivo lutar contra o desperdício alimentar.

No meio de todo este frenesim natalício, das selfies e dos beijinhos, nas ruas, nos centros comerciais, na televisão, Marcelo ainda conseguiu encaixar na agenda a promulgação do Orçamento do Estado para 2017, fazendo uma declaração ao país ao final do dia 21. No dia anterior, tinha presidido a um Conselho do Estado. Pelo meio, a 22, reuniu-se com a ministra da Justiça e decidiu conceder seis indultos a reclusos que lhe pediram o perdão das penas que estão a cumprir.