Santos Silva pede desculpa por comparar concertação social a "feira de gado"

Ministro dos Negócios Estrangeiros reage ao PÚBLICO a “conversa privada” tornada pública com Vieira da Silva.

Enric Vives-Rubio
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Enric Vives-Rubio

A comparação da concertação social a uma “feira de gado” por parte do ministro dos Negócios Estrangeiro foi feita “no âmbito de uma conversa privada com um amigo”, mas Augusto Santos Silva pede desculpa “se alguém ficou melindrado” e destaca o “papel fundamental” da concertação social.

Em declarações ao PÚBLICO, Augusto Santos Silva reage à polémica criada pelo facto de as câmaras de TV o terem captado a usar a expressão "feira de gado", referindo-se à concertação social.

O episódio aconteceu na noite da passada quinta-feira, 22, durante o jantar de Natal do grupo parlamentar socialista com o Governo. O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, tinha acabado de conseguir um acordo na concertação social, o que mereceu saudações de vários socialistas. Uma delas veio de Augusto Santos Silva.

“Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante… Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns”, disse Santos Silva ao ministro do trabalho.

O momento foi captado pelas câmaras de televisão e divulgado no espaço de opinião do jornalista Victor Moura-Pinto no Jornal das 8 da TVI, no domingo. As críticas a Santos Silva nas redes sociais subiram de tom de imediato e o tema foi manchete do jornal i desta terça-feira.

Já nesta terça-feira dois deputados do PSD, Duarte Marques e Carlos Abreu Amorim, teceram duras críticas ao ministro dos Negócios Estrangeiros pela sua referência à “feira de gado”.

Em declarações ao PÚBLICO, Augusto Santos Silva começou por esclarecer que “a fase foi dita num contexto de uma conversa privada com um amigo e em tom de brincadeira”. Essa frase pretendia, acrescenta, “valorizar o resultado de uma negociação”. O ministro explicou ainda que a referência à “feira de gado” se devia ao facto de as negociações neste tipo de feiras “serem duras e complexas e que acabam com honradez de ambas as partes”.

Tendo em conta que “a conversa privada foi tornada pública”, o ministro admite que usou de uma “liberdade de linguagem que não tem pertinência” e pela qual se penitencia. Diz mesmo se algum agente da concertação social se sentiu “melindrado” pela frase pede “desculpa”.

Augusto Santos Silva considera a concertação social “um instrumento fundamental do nosso Estado” e um “dos pilares essenciais da nossa arquitectura constitucional” e sublinha que sobre isso “não pode haver ambiguidades”.