O pulmão de Amarante celebra 100 anos, comemorados com obra fotográfica

Amarante comemora os “100 anos de Regime Florestal da Serra do Marão” com o lançamento do livro Parque Florestal de Amarante uma obra Centenária. Um parque onde foram criados viveiros para reflorestar o Marão.

Pelas comemorações dos “100 anos de Regime Florestal da Serra do Marão”, “um diamante em bruto” que, para o presidente da câmara de Amarante, José Luís Gaspar, “vai potenciar o turismo da região”, foi lançado recentemente o livro Parque Florestal de Amarante uma obra Centenária. A monografia passa em revista “este pulmão da cidade” onde, há 100 anos, foram plantadas árvores para ajudar a reflorestar o Marão. São 237 imagens de “dois dos mais premiados fotógrafos portugueses”, Joaquim Teixeira Pinto e Eduardo Teixeira Pinto, pai e filho. Este último recebeu, em 1960, o Grande Prémio Camões. A obra inclui ainda poemas de Teixeira de Pascoaes, Manuel Amaral e Sophia de Mello Breyner.

O lançamento do livro é uma iniciativa da Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto, sendo a edição da autarquia “que não poderia deixar de se juntar a este projecto pela importância que tem”, diz ao PÚBLICO José Luís Gaspar. A obra presta tributo ao parque florestal, um ex-libris situado em pleno coração de Amarante, com cerca de nove hectares de área. “Retrata e recorda os 100 anos de história do espaço pelo olhar de dois grandes fotógrafos amarantinos e dos mais premiados do país”, afirma o autarca, que também lhes quis, desta forma, prestar homenagem.

Este parque florestal foi criado em 1916 por iniciativa do então presidente da Câmara Municipal de Amarante, António do Lago Cerqueira, para florestação da serra do Marão. O viveiro que então foi criado forneceu milhares de árvores de várias espécies. Este papel de “berçário” de espécies arbórea continua a ser de crucial importância num país castigado pelos incêndios.

Uma importância recentemente sublinhada por Rogério Rodrigues, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que tutela o parque florestal, e que realçou, em Amarante, o facto de este “ser um dos maiores e mais bem cuidados viveiros do Norte”. Além disso, integra o único Centro Nacional de Sementes Florestais do país, onde se trata e certifica as sementes.

E é de tal importância que a Câmara Municipal quer ficar com a tutela da manutenção deste parque floresta urbano à semelhança do que acontece noutras autarquias. A autarquia já tem em cima da mesa alguns projectos, como o da reabilitação do corte de ténis, a construção de um parque infantil, a abertura de percursos pedestres e a recuperação da tradição do baile de gala que ali se realizava nos anos 50 e 60.

Associação quer museu

Mas a comemoração do centenário foi também o pretexto para recordar a obra dos dois fotógrafos. “Começámos por mil fotografias do meu pai e do meu avô até chegarmos às 237 do livro relacionadas com o parque florestal, a maioria delas a preto e branco”, conta Verónica Teixeira Pinto, filha e neta dos fotógrafos, da Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto. E continua: “Podemos encontrar fotografias com o general Humberto Delgado, o almirante Américo Tomás e até uma comitiva de um ministro chinês”.

Verónica ainda se lembra de “o pai se levantar muito cedo para fotografar o nevoeiro”. Era um apaixonado pelo rio Tâmega e pelo parque florestal. “Em criança cheguei a ir com o meu pai para a serra do Marão. Ele esperava quatro horas pela melhor luz para fotografar”, recorda. O fotógrafo venceu o Grande Prémio Camões e teve mais de 150 menções honrosas. “Foi um dos melhores e mais galardoados fotógrafos portugueses do século XX.” Ele e o avô — também muito premiado e fundador da empresa Foto-Arte, que funcionou durante cerca de 70 anos, em Amarante. Deixaram-lhe um espólio riquíssimo que quer ver exposto no Museu Eduardo Teixeira Pinto que gostaria de criar com o apoio da autarquia. Por enquanto, algumas fotografias do pai estão patentes numa sala do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardozo. E estão agora a ser divulgadas através da publicação deste livro, assim como na emissão de postais.