Há mais um AsSALTO marcado para o Porto, agora a um consultório de 1927

Segundo momento da iniciativa criada por elementos da Faculdade de Arquitectura está marcado para quarta-feira.

O primeiro AsSALTO foi num prédio na Rua de Sá da Bandeira
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O primeiro AsSALTO foi num prédio na Rua de Sá da Bandeira NELSON GARRIDO

O segundo AsSALTO da cidade do Porto já tem data e local marcado. A partir das 10h desta quarta-feira abrem-se as portas de um consultório de oftalmologia de 1927, com vários instrumentos da década de 1930, que ainda funciona num edifício já reabilitado. A morada é Rua de Miguel Bombarda, 31. No Porto.

É a segunda actividade do projecto criado no âmbito de A Colecção de Desenhos. Escola de Arquitectura do Porto, do Centro de Estudos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e que tem como mentores Noémia Herdade Gomes, professora auxiliar de Desenho da FAUP, e os dois doutorandos Carlos Machado e Moura e Rui Neto. O objectivo do grupo é mostrar e preservar a memória do património anónimo, em vias de desaparecer. No caso deste consultório, aberto pelo pai do actual proprietário, não há, por enquanto, a intenção de o encerrar ou alterar, mas as características do espaço mereceram a atenção do grupo. O primeiro AsSALTO foi a 30 de Novembro, em dois pisos de um edifício da Rua de Sá da Bandeira que vai ser reabilitado no próximo ano, agora o espaço é mais pequeno e, por isso, as regras também se alteram um pouco.

Logo à partida, a iniciativa arranca mais cedo, às 10h e vai manter-se até cerca das 16h, quando a luz começa a fugir e a realização dos desenhos e textos manuscritos que os participantes deverão fazer, se tornam mais difíceis de concretizar. Depois, como o espaço não é muito grande, dependendo da afluência de interessados, o acesso poderá ser condicionado e faseado, para que a visita decorra sem atropelos.

Carlos Machado e Moura explica ao PÚBLICO, por escrito, que o consultório ainda funciona e tem uma placa identificativa em que se lê “Dr Castro Silva, Doenças dos Olhos”. “No interior, além dos espaços interessantes, próprios da época, encontramos uma série de instrumentos – máquinas, lentes, arquivos e outros utensílios – desde meados da década de 1930, um verdadeiro museu de óptica”, explica. Memórias deixadas pelo pai do actual proprietário, que também era oftalmologista.

O AsSALTO é de acesso livre e gratuito, pedindo-se apenas aos participantes que registem de alguma forma o acesso privilegiado que lhes é dado a espaços habitualmente fechados. Os mentores do projecto ficam, no final, com o produto desse trabalho, já que existe o objectivo de, no final da iniciativa (que não tem, por enquanto, prazo nem limites territoriais), se publicar um livro com esses registos, que serão uma espécie de memória visual e escrita dos espaços visitados.

Em Novembro, aquando da divulgação do AsSALTO, Carlos Machado e Moura explicava a motivação por trás da iniciativa: “O Porto está a transformar-se de forma radical. Para melhor, mas de forma muito apressada”. Noémia Herdade Gomes concluía: “Em muitas intervenções, mantém-se a fachada e o que está dentro é negligenciado, transformado em pladur, completamente descaracterizado”. Preservar a memória desse mundo em vias de desaparecimento é o objectivo de cada novo AsSALTO que ocorre na cidade.