DR
Foto
DR

As capas destes cadernos portugueses são feitas de "bricks"

Os Noote são cadernos criados a partir da montagem de muitas peças — entre 400 e 800 peças tipo Lego. Projecto desenvolvido por Frederico e Valentina já está no mercado

“Constrói o teu caderno personalizado”. Esta é a proposta que os Noote têm para ti. Coloridos e feitos à medida de cada um, o mais importante neste projecto é imprimir uma marca própria em cada bloco de notas. Basta encaixar na capa as mais de 400 peças. E a oferta serve para todos os gostos: os fãs de jogos como Pokémon, Super Mario ou Angry Birds vão encontrar capas com personagens conhecidas, mas também os de banda desenhada como Capitão América, Homem-Aranha ou Batman ou de música como David Bowie ou The Rolling Stones. Os fãs de Star Wars, Simpsons ou Breaking Bad têm também cadernos disponíveis.

Os Noote são resultado de um desafio que Frederico Ferreira lançou a Valentina Cunha. Fã de construções da Lego desde muito nova, a par do gosto por “estacionários e artigos de papelaria”, em especial por cadernos, e por “produtos personalizados”, a co-autora da ideia acredita que os blocos de notas personalizados eram a “ideia revolucionária” que faltava no panorama de negócios português.

Durante cinco anos, Valentina e Frederico imaginaram as imagens que poderiam criar em capas de cadernos de tamanho A5. Testaram formas de como conseguir as “melhores formações de peças”, enquanto estudavam o tipo de imagens que poderiam construir. As peças semelhantes à Lego serviram de inspiração para o “processo construtivo” dos Noote. Deste percurso criativo “bastante demorado” resultaram “opções infindáveis” e foi em Portugal que descobriram como podiam tirar a ideia do papel e passar à acção. Apresentaram a proposta à Maxiplás, uma empresa de injecção plástica de moldes, e depois de vários protótipos apresentaram, a 16 de Novembro, os primeiros cadernos personalizados.

PÚBLICO -
Foto

Um projecto inteiramente português

PÚBLICO -
Foto

Desde a produção de moldes próprios às peças — a que podemos chamar pixeis ou "bricks" — produzidas com a assinatura da marca portuguesa, todos os pormenores dos Noote foram pensados e desenvolvidos em Portugal. Estes cadernos caracterizam-se, essencialmente, pela “complexa montagem” (entre 400 e 800 bricks por caderno) que exige um rigor dimensional elevado. “Demoramos algum tempo a afinar as características do produto, nomeadamente uma capa de plástico que abrisse e fechasse e a apertar o gap porque estas capas não são compatíveis com a Lego”, explica a designer.

PÚBLICO -
Foto

O lançamento dos Noote no mercado são a mais recente aposta da Nixfuste, uma empresa de activação de marca fundada pelos dois criativos. Depois da apresentação de uma candidatura ao IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, Valentina e Frederico investiram 500 mil euros no projecto e criaram quatro postos de trabalho. Com pouco mais de um mês, a estimativa de vendas dos Noote aponta os 20 mil euros, um número que esperam superar no próximo ano com uma facturação na ordem dos 600 mil euros. Segundo Valentina, a maior expectativa está, no entanto, na procura externa. “Em 2017 esperamos exportar 20 mil encomendas e colocar a colecção Noote em lojas físicas seleccionadas em Portugal e no estrangeiro”.

Liberdade para criar capas originais

Para já, existem 14 colecções com 320 desenhos diferentes, 17 milhões de pixeis e cerca de 30 mil capas e miolos à espera de completar as montagens personalizadas. Os autores do projecto criaram duas colecções próprias inspiradas nos momentos da actualidade, nas redes sociais e no trabalho que desenvolvem diariamente. Na colecção ‘Noote selection’ é possível encontrar ícones de computadores como, por exemplo, a disquete, o cursor, o símbolo do chat ou o coração do Instagram. Mas as criações não são todas próprias. A marca está aberta a sugestões de quem queira partilhar os seus desenhos, dando origem a novas colecções.

Os cadernos podem ser adquiridos no website ou na loja da página de Facebook, onde podes escolher o teu design preferido entre os diferentes temas disponíveis. Depois recebes em casa o kit completo: a capa plástica preta, a recarga de papel (lisa, linhas ou pontilhada) e os 416 bricks coloridos, suficientes para uma das faces da capa, ou os 832 bricks para preencher a frente e o verso do caderno. Os preços oscilam entre os 37 e os 49 euros.

Caso não encontres o que procuras, a Noote dá a liberdade de modificar alguma característica do caderno como, por exemplo, a cor das peças (actualmente disponíveis em seis cores: branco, preto, vermelho, azul, amarelo e verde). Mas como a personalização é o que distingue os cadernos Noote, no website existe ainda um editor que permite ao cliente desenhar livremente uma capa, para que “tenha a possibilidade de deixar a sua marca no caderno que utiliza diariamente”. O desafio seguinte é construir a capa escolhida tijolo a tijolo.

Na plataforma online, a marca vende ainda capas plásticas negras que servem de base para o desenho escolhido e recargas de papel que dão a possibilidade de reutilizar o caderno. Apesar do sistema de encaixe reforçado que impede os bricks de caírem, podem depois ser substituídos por um novo desenho das colecções. Estes objectos têm ainda uma outra particularidade: são inclusivos. Os Noote aderiram ao sistema de identificação de cores ColorADD que permite o reconhecimento das cores pelos daltónicos. O editor online inclui uma ferramenta que mostra o símbolo correspondente de cada cor de acordo com a posição do cursor. Cada conjunto de Noote bricks vem também com um cartão que funciona como uma régua de cores com os respectivos símbolos e que ao encostar aos bricks identifica a cor que se está a utilizar.

Para acompanhar os modelos mais recentes, a marca desenvolveu ainda uma aplicação onde também podes criar diferentes desenhos.

Sugerir correcção