Sector imobiliário diz que receita do adicional ao IMI pode ser "diminuta"

"Se o Estado não fizer mais asneiras, o investimento estrangeiro vai chegar a cidades como Coimbra, Viseu, Braga, que já está a chegar, ou Aveiro e Guimarães", diz a APEMIP.

"Em algumas zonas de Lisboa e do Porto os preços estão acima do que é razoável", diz Luís Lima, presidente da APEMIP
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"Em algumas zonas de Lisboa e do Porto os preços estão acima do que é razoável", diz Luís Lima, presidente da APEMIP Daniel Rocha

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) prevê que a receita do adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) deverá ser diminuta e diz que se, "não houver mais asneiras", os investidores estrangeiros vão continuar a apostar em todo o país.

Luís Lima considera que a receita do adicional aplicado a imóveis avaliados por mais de um milhão de euros "deve ser diminuta e as consequências e a imagem podem ser negativa".

"Se o Estado não fizer mais asneiras, o investimento estrangeiro vai chegar a cidades como Coimbra, Viseu, Braga, que já está a chegar, ou Aveiro e Guimarães", acrescentou ainda o presidente da APEMIP, referindo casos dos investidores brasileiros que estão a comprar sobretudo na zona Norte "pela relação com a afinidade da origem dos pais ou dos avós".

Num diagnóstico ao país, Luís Lima nota que a construção junto de cidades mais pequenas até 2001, destinada ao "crédito de 100%", continua a ser um problema, enquanto nos centros de Lisboa ou Porto "não há activos" suficientes para a procura.

"Em algumas zonas de Lisboa e do Porto os preços estão acima do que é razoável", assume o responsável, reafirmando ser bom que exista construção em algumas zonas onde a reabilitação não chega e porque os portugueses "precisam de um activo de preço inferior" ao que os estrangeiros estão dispostos a pagar. "O fenómeno dos investidores estrangeiros já existiu em Madrid e Barcelona", sublinha.

Manuel Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), defende por seu lado que o sector do imobiliário tem de ser "encarado enquanto vector essencial para a dinamização da economia e do emprego, e não como inesgotável fonte de receitas".

Reis Campos acrescenta ainda esperar que haja uma "verdadeira política da habitação, correspondendo a uma visão global e integrada".

Analisando a actualidade, o responsável indica que o interesse dos investidores e a dinâmica do turismo nos centros históricos de Lisboa e do Porto estão a "impulsionar um movimento de reabilitação" e a "alterar um cenário de estagnação e abandono que se arrastava incompreensivelmente há décadas". Mas "este ciclo de investimento ainda está longe de ganhar o dinamismo de que o país precisa", argumenta.