Com a queda de Alepo acabaram as “revoltas coloridas”, diz Moscovo

Exército anuncia regresso à cidade. Assad afirma que a vitória na metrópole do Norte da Síria é tanto sua como da Rússia e do Irão.

Putin com o ministro Shoigu atrás, enquanto cumprimenta o adjunto da Defesa
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Putin com o ministro Shoigu atrás, enquanto cumprimenta o adjunto da Defesa Alexey Nikolski/AFP

As últimas pessoas foram retiradas do Leste de Alepo e o último enclave da oposição a Bashar al-Assad na cidade com mais população da Síria caiu mesmo para o regime. O Presidente sírio diz que é uma vitória tanto para o seu país como para a Rússia e o Irão, cita a PressTV iraniana; o Governo russo que põe fim "às 'revoluções coloridas'" que começaram em 2011.

Os sucessos de Assad e dos seus aliados no campo de batalha “são um passo essencial no caminho para pôr fim ao terrorismo em toda a Síria e na criação das condições certas para terminar a guerra”, diz ainda o ditador, citado pela mesma rede de informação internacional do Irão. Assad já se congratulara por esta “vitória”, que descreve como “história a acontecer, merecedora de mais do que os ‘parabéns’ do mundo”.

"Graças ao sangue dos nossos mártires e ao sacríficio das nossas corajosas Forças Armadas assim como das forças suplementares e aliadas, o comando geral anuncia o regresso da segurança a Alepo após o anúncio da sua libertação dos terrorismo e dos terroristas e da saída dos que restavam", anunciou o Exército de Assad num comunicado.     

Alepo estava dividida em duas grandes partes desde 2012, quando a oposição armada conquistou algumas zonas. Com a linha da frente perto da Cidade Velha (Património da Humanidade), houve dezenas de milhares de mortos e uma destruição avassaladora. Os últimos bairros a cair, desde o início da última ofensiva aérea das forças de Assad e dos seus dois aliados externos, a 15 de Novembro, estão quase em escombros – nos últimos dias, chegam de lá fotografias de combatentes leais ao líder sírio a caminhar entre os destroços.

O conflito está tão complexo como há um mês, e diferentes países com uma agenda própria estão envolvidos enquanto continua uma revolta cidadã que foi esmagada por uma ditadura, ao mesmo tempo que os terroristas aproveitaram vazios de poder para criar santuários (o mesmo fizeram os curdos sírios, que controlam grande parte de Rojava, o Curdistão da Síria, no Nordeste, até às fronteiras turca a Norte e iraquiana a Leste, para além de Afrin, no Noroeste e Kobani, no Centro Norte do país). 

A Turquia, que combate o Daesh e os curdos junto à sua fronteira, matou esta quinta-feira pelo menos 29 civis, incluindo oito crianças, num bombardeamento contra Al-Bab, uma pequena cidade controlada pelos jihadistas, diz o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, ONG ligada à oposição.

Rússia, Irão e Turquia, os países que mediaram as negociações para o acordo que permitiu parar com as bombas e deixar sair as dezenas de milhares de civis e combatentes que ainda restavam há uma semana do lado rebelde, já se encontraram entretanto para debater o futuro da Síria. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Riabkov, esclareceu esta quinta-feira que em cima da mesa nestas discussões não está o destino de Assad.

Nada de estranho, já que a Rússia nunca admitiu discutir uma saída de Assad quando negociava com os Estados Unidos. Assad falou no final de um encontro com o adjunto dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Ansari, em Damasco.

A Rússia fez o seu balanço da participação directa no conflito sírio, informando que desde Setembro de 2015 "liquidou 35 mil combatentes e destruiu 725 campos de treino e 405 depósitos de armas. “Agora, somos mais fortes do que qualquer potencial agressor”, disse o Presidente russo, Vladimir Putin, numa reunião no Ministério da Defesa, em Moscovo. “A cadeia de ‘revoluções coloridas’ que se espalhou pelo Médio Oriente e África quebrou-se”, afirmou, no mesmo encontro, o adjunto do ministro da Defesa, Serguei Shoigu.

O responsável estaria a referir-se à vaga de revoltas populares e pró-democráticas que começou na Tunísia, em Dezembro de 2010 e levou, em 2011, à queda de ditadores como Ben Ali e o egípcio Hosni Mubarak. Em Março de 2012, foi a vez de a Síria assistir às suas primeiras manifestações, brutalmente reprimidas por Assad.

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