Sectores do Comércio Europeu de Licenças com maior nível de emissões desde 2009

Dados do INE mostram que a dependência energética do exterior retomou máximos de 2011.

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Pedro Cunha

O triplo da área ardida, menos electricidade produzida a partir de fontes renováveis e a dependência energética do exterior a retomar máximos de 2011: o ano de 2015 não foi dos mais felizes em termos de ambiente, figurando no calendário como o sexto ano mais seco desde 1931. Já as actividades abrangidas pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão resultaram na emissão de 27,9 milhões de toneladas de CO2 eq (medida que expressa a quantidade de gases de efeito de estufa em termos equivalentes à quantidade de dióxido de carbono). É o maior nível desde 2009.

As estatísticas do ambiente, divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que o ano passado foi “extremamente quente e seco” – o que, associado à dinâmica da actividade económica, resultou em novas pressões sobre o meio ambiente.

Em termos de contexto sócio-económico, 2015 caracterizou-se por uma expansão da actividade económica, que encontrou tradução prática na criação de 43 mil novos empregos, e num aumento em volume do consumo privado de 2,6%, além de um acréscimo de 1,8% da produção industrial. O decréscimo populacional, por seu lado, atenuou-se pela primeira vez desde 2010. E as condições meteorológicas, que “determinaram uma diminuição da contribuição das fontes renováveis para o consumo de energia primária de 25,9% para 22,2%”.

A electricidade produzida a partir de fontes renováveis decresceu de 61,4% para 48,7%. Acresce que nesse ano arderam quase 65 mil hectares de floresta, mais do triplo da área ardida em 2014, e os resíduos urbanos gerados aumentaram 2,1%.

Tudo conjugado, as actividades abrangidas pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão resultaram na emissão de 27,9 milhões de toneladas de CO2 eq, mais 15,6% do que em 2014, “devido em grande parte ao comportamento da matriz energética nacional”, lê-se no destaque.

O INE sublinha que o sistema energético nacional consumiu mais energia primária e aumentou o consumo de energia final pelas actividades económicas, interrompendo o ciclo iniciado em 2006 de sucessivos decréscimos do consumo de energia. Os aumentos de consumo foram expansíveis a todos os sectores de actividade, à excepção do sector doméstico. O resultado ainda assim está longe de ser animador: a dependência energética do exterior retomou máximos de 2011.

No que aos resíduos diz respeito, em 2015 cada habitante em território nacional gerou em média 464 quilos de resíduos, o segundo maior resultado dos últimos cinco anos, totalizando 4,8 milhões de toneladas. Das 1,6 milhões de toneladas de embalagens geradas, 59,7% foram valorizadas. A recolha selectiva aumentou 21,9%, perfazendo 16,2% da recolha total de resíduos. A indústria, por seu lado, gerou 8,2 milhões de toneladas de resíduos, menos 16,3% do que em 2014. Porém, a representatividade dos resíduos perigosos aumentou, fixando-se em 6,4%, o máximo alguma vez registado. 

Notícia corrigida às 15h54 de dia 23 de Dezembro. Esclarece-se que o que aqui é medido é apenas uma parte das emissões (as das actividades abrangidas pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão, que inclui apenas grandes fontes como por exemplo indústria pesada).