Morais Sarmento admite apoio a Cristas: "PSD tem tido comportamento autofágico"

O social-democrata não vê "obstáculos" em apoiar Assunção Cristas, mas diz que o processo no PSD foi mal gerido.

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Nelson Garrido / PUBLICO

Numa altura em que o PSD se agita por causa da possibilidade de o partido apoiar a líder do CDS como candidata à Câmara de Lisboa, Morais Sarmento, uma das vozes críticas, é claro na opção: depois de todo o processo, não há "obstáculo" para um apoio, mas foi tudo mal gerido, defendeu.

No programa Falar Claro, da Rádio Renascença. Morais Sarmento disse: "Não vejo que exista algum obstáculo de princípio a que o PSD apoie uma candidatura do CDS à Câmara de Lisboa, mas, para que isso aconteça, tem de ser justificado e desejado pelos dois partidos e nunca surgir como uma solução de recurso ou de mal menos”.

Mas esta posição do social-democrata surge anexada a uma crítica à gestão do dossier autárquicas por parte da direcção do partido. “O PSD tem tido um comportamento absolutamente autofágico neste processo, ao tratar desta forma e na discussão pública um tema que só faz sentido que seja tratado na reserva da relação entre os dois partidos”, defendeu. E não fica por aqui. Morais Sarmento critica sobretudo que este processo tenha nascido "do tecto para o chão e não do chão para o tecto”, ou seja, da direcção para as bases.

Prova do descontentamento das bases do partido com esta possibilidade de apoio a Assunção Cristas, avançada no sábado pelo PÚBLICO, Expresso e Sol, é a possibilidade de a concelhia de Lisboa estar a ponderar tomar uma posição formal sobre a necessidade de um candidato próprio do partido na capital — e assim rejeitar uma coligação com o CDS — ainda antes do final do ano, como lhe conta o PÚBLICO na edição desta quarta-feira. 

O assunto ainda não está fechado nem para a concelhia nem para a direcção. Para Morais Sarmento, a única solução possível neste momento - além de um apoio a Cristas - seria apresentar uma candidatura "tão cedo quanto possível".

O social-democrata foi não só uma das vozes críticas de Passos Coelho como também um dos nomes que não fecharam a porta a uma candidatura ao partido. No início deste mês, na RTP, Morais Sarmento disse esperar pelo posicionamento de "Rui Rio, Santana Lopes e Marques Mendes" e, falando na terceira pessoa, disse que estaria "disponível para trabalhar" e decidiu esperar pela clarificação destes três sociais-democratas.