Esta quinta-feira, volta a haver luz no Bairro da Torre

Geradores instalados pela Câmara de Loures são "solução temporária" para um problema que se arrasta há dois meses. EDP e câmara têm versões contraditórias sobre o corte da iluminação pública.

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A maioria das habitações não tem janelas nem fonte alternativa de iluminação Rui Gaudêncio

A Câmara de Loures colocou, esta quarta-feira, dois geradores de energia no Bairro da Torre, em Camarate, cuja ligação à rede eléctrica foi cortada pela EDP em Outubro. A ligação às casas, onde vivem cerca de 70 famílias, será feita esta quinta-feira. Os moradores esperam voltar a ter luz ao fim de dois meses a “viver no escuro”.

É nas contas que as coisas se complicam. Segundo a autarquia, o esforço financeiro é suportado pela câmara, uma conta que vai chegar às “dezenas milhares de euros”, conforme o tempo que os geradores estiverem operacionais. O presidente da câmara espera que uma “solução definitiva” seja criada “nos próximos meses.” “Até lá, manteremos o gerador em conjunto com a população”, instou Bernardino Soares, na manhã desta quarta-feira.

De acordo com os moradores, cada gerador gasta 250 litros de gasóleo em 10 horas. São cerca de 275 euros por dia, a dividir por cerca de 25 famílias. “Vai ser um bocado duro para os moradores”, receia Ricardina Cuthbert, presidente da Associação Torre Amiga. Os moradores, a maioria subsidiário do rendimento social de inserção, são capazes de pagar “dois ou três euros por dia”, acredita Ricardina que pretende chegar a acordo com a autarquia sobre o valor a pagar.

A intenção é que os moradores “assumam parte da responsabilidade e tenham bom senso no consumo”, explicou fonte da autarquia. “Sabemos que nenhuma destas famílias tem condições financeiras para pagar dez euros por dia de luz.”

A colocação dos geradores é “temporária”. Bernardino Soares pede “disponibilidade” do governo, do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), da ANA - Aeroportos – que já negou ser dona dos terrenos – ou da “entidade que tenha a tutela sobre esses terrenos” para que seja equacionada uma “solução definitiva” sobre o fornecimento de luz.

Vivem cerca de 200 pessoas neste terreno de habitações precárias e ilegais, contíguo ao Aeroporto Humberto Delgado. A autarquia reforça que não tem responsabilidades sobre o terreno. Segundo Bernardino Soares, o "quadro da habitação municipal" não tem capacidade para realojar estas famílias. Espera que a questão da iluminação “permita reunir as vontades necessárias” para reabilitar este bairro de barracas.

A associação de moradores pretende que seja instalado no bairro um quadro eléctrico da EDP e contadores individuais, o que depende da autorização dos proprietários do terreno. A câmara abre a hipótese de “avançar [com uma solução] seja qual for o contexto das outras entidades”.

Depois das demolições de 2011, quando foram realojadas mais de metade das famílias pelo Programa Especial de Realojamento (PER), os moradores deixaram de pagar a factura. Em Outubro, a EDP cortou as ligações feitas com puxadas ilegais.

Iluminação pública cortada

Desde Outubro também não há luz nos acessos ao bairro. A autarquia diz não ter sido notificada deste corte e afirma ter enviado um ofício à EDP a pedir a reposição imediata da luz pública. “A EDP disse que havia uma avaria”, sublinhou fonte da Câmara de Loures.

“Ninguém lhes deu indicações para desligarem a iluminação pública”, refuta Bernardino Soares.

Por sua vez, fonte da EDP colocou as responsabilidades na autarquia: “A EDP Distribuição liga e desliga candeeiros de iluminação pública de acordo com as solicitações da Câmara Municipal”, referiu ao PÚBLICO fonte da empresa. A empresa “desfez algumas ligações eléctricas ilegais em habitações ilegais, que podiam colocar em causa a segurança das pessoas e bens”, relembrou a fonte.

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