Carregamento rápido do carro eléctrico nas cidades vai custar até três euros

A EDP, a Mobilectric e a Prio, que participaram no concurso para operar carregadores rápidos nas cidades, têm de instalar os equipamentos até 8 de Janeiro.

Carregamento do veículos eléctrico vai começar a ser cobrado a partir do segundo trimestre, garante Matos Fernandes
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Carregamento do veículos eléctrico vai começar a ser cobrado a partir do segundo trimestre, garante Matos Fernandes NFACTOS/Fernando Veludo

Depois de ter sido repetido, o concurso público para a instalação e exploração de 14 pontos de carregamento rápido para veículos eléctricos nas principais cidades portuguesas saldou-se com a entrega de lotes à Prio, à EDP e à Mobilectric (empresa de mobilidade eléctrica do grupo C. Santos, que comercializa a marca Mercedes em Portugal). Estas empresas terão de instalar os carregadores até 8 de Janeiro, disse ao PÚBLICO o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. Os resultados do concurso colocam o preço de cada carregamento rápido entre 1,5 e três euros, adiantou o governante, frisando que usar um carro eléctrico terá um custo “incomparavelmente mais baixo” do que utilizar um veículo convencional.

Segundo Henrique Sanchez, da Associação de Utilizadores de Veículos Eléctricos (UVE), neste momento deverão existir em circulação em Portugal "entre 4500 a 5000" carros eléctricos.

A EDP ganhou 5 lotes no concurso da Mobi.e, adiantou ao PÚBLICO fonte oficial da empresa liderada por António Mexia. Será nas cidades de Aveiro, Évora, Valença, Viana do Castelo e Vila Real que a empresa vai instalar os equipamentos agora contratualizados. A EDP acrescentou que “tem previsto instalar mais uma série de carregadores rápidos em locais estratégicos, no âmbito de um programa de médio prazo mais amplo”.

Já a Prio, que na primeira edição do concurso – repetido por problemas com as assinaturas digitais – considerava ter vencido nove dos 14 lotes disponíveis (incluindo Lisboa, Cascais, Loures, Gaia, Porto e Matosinhos) ficou-se por um posto de carregamento, o de Coimbra.

“Temos pena que as regras do primeiro concurso não tenham sido respeitadas, mas mantivemos a nossa proposta”, adiantou ao PÚBLICO o presidente da empresa, Pedro Morais Leitão.

Quem conseguiu arrebatar oito lotes foi a Mobilectric, a empresa do grupo C. Santos, que na primeira fase tinha obtido piores classificações. Nesta segunda versão do concurso (onde o critério preço se mantinha como o principal), a empresa garantiu os lotes nos maiores centros urbanos: dois em Lisboa e ainda Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Braga, Cascais e Loures. O PÚBLICO tentou contactar a Mobilectric, mas não teve sucesso.

Se 8 de Janeiro é a “data limite” para que estes carregadores nas cidades estejam instalados, Matos Fernandes disse haver “uma probabilidade elevadíssima de até essa data se instalarem mais oito carregadores nas áreas de serviço das auto-estradas”, para que o trajecto Porto/Lisboa “possa ser feito com toda a naturalidade”. Com isto, segundo o ministro, no início do ano haverá “garantidamente 35 carregadores instalados” na rede piloto de carregamentos rápidos, quando o objectivo fixado pelo Governo eram 50, até ao final deste ano. Matos Fernandes reconhece que a negociação “nem sempre tem sido completamente pacífica”, porque muitos concessionários das estações de serviço ainda olham para a mobilidade eléctrica “como um potencial concorrente” ao seu negócio. Por isso mesmo, o ministro do Ambiente admite que o resultado do projecto-piloto de carregadores rápidos possa ficar abaixo dos 50 previstos inicialmente.

“O investimento que as empresas estão a fazer nos carregadores rápidos tem a nossa garantia de que os carregamentos passarão a ser cobrados”, disse Matos Fernandes. Como a cobrança só pode ser feita quando o projecto-piloto estiver concluído, e o calendário do Governo define que “o mais tardar, no final do primeiro trimestre de 2017”, os carregamentos começarão a ser pagos, o fecho do projecto-piloto “não passará nunca de Fevereiro, Março”. Mesmo que a rede não tenha ainda chegado aos 50 postos. Caso não haja acordo com as áreas de serviço da auto-estrada “a hipótese B é tentar instalar alguns dos carregadores rápidos nas estradas nacionais”, disse Matos Fernandes. Com Raquel Almeida Correia