Passos Coelho vaticina uma nova crise para Portugal

Líder social-democrata não sabe quando é que vai acontecer, mas avisa, desde já, que Portugal não está preparado para uma nova crise.

Passos Coelho lança ameaça de uma nova crise
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Passos Coelho lança ameaça de uma nova crise NFS - Nuno Ferreira Santos

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, declarou esta sexta-feira, no Porto, que “haverá uma nova crise” e que Portugal não está preparado para a enfrentar, uma ameaça que acontece depois de ter vaticinado a chegada do diabo.

“Temos quase a certeza de que haverá uma nova crise, não sabemos quando, mas haverá. Nós gostaríamos de estar bem preparados para a enfrentar quando ela acontecer e ainda não estamos e essa responsabilidade é europeia e não se tem sentido a acuidade que este problema tem”, avisou o ex-primeiro-ministro num debate no Palácio da Bolsa no Porto, sobre Europa que Futuro! organizado pelos eurodeputados Paulo Rangel e José Manuel Fernandes, com o patrocínio do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu.

Num discurso em que se insurgiu contra os populismos que estão a emergir pela Europa fora e não só, Passos Coelho aproveitou para responsabilizar o Governo português pela falta de crescimento económico, sublimando que “não pode ser o Banco Central Europeu a tratar das condições de crescimento. O próprio presidente do BCE têm-no dito de uma forma muito intensa”.

Depois de sublinhar que o “BCE fará tudo que está ao seu alcance para dar estabilidade à zona Europa para dar estabilidade à Europa”, o presidente do PSD considerou, por isso, não haver espaço para críticas muito fundadas “à inacção do BCE”. E tratou de dizer que “não se vê que os países que fazem parte do Euro estejam suficientemente empenhados em fazer a sua parte do trabalho, que compreende reformas importantes sobre a nossa estrutura económica e social, mas também das políticas públicas”.

Para Passos, essas reformas devem ser feitas enquanto o Banco Central Europeu nos está a dar tempo, porque depois será depois demasiado tarde para nos virmos culpar da burocracia europeia, da falta de resposta que temos”. E virou-se para o país, “Nós, em Portugal, estamos a perder tempo neste momento. Durante alguns anos aproveitámos - às vezes em circunstâncias muito difíceis pelo tempo que nos deram - para fazer reformas e agora aquilo que vemos é reversão atrás de reversão de reformas. As próximas são as leis laborais”.

O líder social-democrata recuou ao tempo em que era primeiro-ministro para dizer: "Nós quisemos fazer até ao contrário de Espanha uma reforma das leis laborais em contexto de negociação e de concertação social - fizemos mesmo um acordo de concertação social para suportar a reforma laboral que fizemos - e o que está em agenda é a reversão dessa reforma”.

“Se vamos reverter também essas reformas, os resultados não vão ser bons para Portugal e se não forem bons para Portugal não serão bons para a Europa. Mas os mesmos que estão a preparar estas reversões serão aqueles que vão culpar o Euro e o projecto europeu do fracasso da política económica que estará no final da rua desta decisão e desta orientação política”, declarou Passos Coelho.