O PSD “versão banco bom” apoiou a municipalização da Carris

Contrariando a posição da concelhia e a dos vereadores, os eleitos da Assembleia Municipal de Lisboa votaram ao lado da maioria

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guilherme marques

Não foi a primeira vez que aconteceu e tudo indica que não será a última: os deputados do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa voltaram a demarcar-se da concelhia do partido e dos eleitos na câmara, votando a favor da municipalização da Carris. “O PSD daqui apresentou a sua versão do banco bom”, reagiu Fernando Medina, que se congratulou com o voto da bancada da oposição.

“Agora temos verdadeiramente não um, não dois, mas três PSD’s”, constatou o presidente da Câmara de Lisboa. O primeiro, diz Fernando Medina, é o da câmara, que votou contra a municipalização da empresa. O segundo, acrescentou, é “o PSD concelhio”, que recentemente divulgou um vídeo (em que critica os investimentos camarários na área da mobilidade ciclável) “que diz tudo sobre o seu pensamento da política de mobilidade para o futuro da cidade”.

O último, referiu o presidente da câmara, é o PSD que foi “corporizado” na reunião desta terça-feira da assembleia municipal pelo deputado Luís Newton, que foi quem interveio em nome da bancada social-democrata. “Este PSD parece um pouco um banco que nós temos na nossa praça, que tem o banco mau e o bom. O PSD daqui apresentou a sua versão do banco bom”, brincou Fernando Medina.  

A proposta relativa à municipalização da Carris, que na câmara tinha merecido o voto contra de toda a oposição, foi aprovada na assembleia com os votos contra do PCP, do PEV e do CDS e com a abstenção do MPT. A favor votaram o PS, o PSD (à excepção de cinco deputados, que se abstiveram), os Cidadãos Por Lisboa, o BE, o PAN e o PNPN (Parque das Nações Por Nós).

Em nome da bancada social-democrata, Luís Newton considerou que a assunção da Carris pela autarquia “é um primeiro passo muito importante para aquilo que é a disciplina e o poder de organização que o próprio município pode e deve ter na gestão de mobilidade da sua cidade”. Para o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, falta agora que a autarquia assuma o Metropolitano de Lisboa, sob pena de a gestão de mobilidade na capital ser “incompleta”.

O deputado social-democrata sublinhou ainda que a Carris “não tem que ser um buraco financeiro” e afirmou que não se pode aceitar que haja no futuro “dívida acumulada” e que assim “se onerem as gerações futuras”.

Nesta reunião da assembleia municipal foram também discutidas várias petições apresentadas por cidadãos, incluindo uma sobre o Jardim do Caracol da Penha e uma sobre a necessidade de obras na Escola Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, no Bairro da Boavista. Um outro abaixo-assinado tinha a ver com o ruído nocturno que, de acordo com um grupo de moradores da Graça, é causado por uma entidade chamada Associação Real Urinol. A presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, a socialista Natalina Moura, deu conta do seu apoio aos queixosos e disse que a associação “de real nada tem, mas de urinol tem tudo”. 

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