Alunos do Politécnico de Viana vão espalhar cachecóis pela cidade para aquecer os sem-abrigo

É mais uma das iniciativas que os estudantes das comissões de praxe das várias escolas do Instituto têm levado a cabo para ajudar quem mais precisa e para integrar e sensibilizar os caloiros.

PEDRO CUNHA
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PEDRO CUNHA

Colocar um cachecol numa árvore, num poste de iluminação ou num banco de jardim, acompanhado de uma pequena mensagem, é um gesto simples que quase não custa nada e pode mudar a vida de quem o recebe. É por isso que esta quarta-feira os alunos do Instituto Superior de Viana do Castelo (IPVC) vão distribuir o maior número de cachecóis que conseguirem angariar pela cidade. E embora a ideia não seja original – foi mais uma das que se adoptaram dos EUA –, é apenas a mais recente dos estudantes do IPVC na senda das praxes solidárias que os aproximem à comunidade local.

A ideia dos cachecóis partiu de José Oliveira, aluno do curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, que viu no Facebook uma publicação de um amigo sobre a versão americana da iniciativa. Inspirado, propôs a ideia à comissão organizadora das praxes de Turismo e eles aceitaram. “Não achava que ia causar tanto impacto, achava que ninguém ia aderir. Ao início era só o curso de Turismo, mas entretanto tivemos de alargar aos outros cursos, que também começaram a dar o seu contributo”. Neste momento, “todo o IPVC, alunos e professores, estão a participar. Até há pessoas que estão a trazer mais que um cachecol”, adianta. Os agasalhos estão a ser recolhidos esta terça e na manhã de quarta-feira, para à tarde serem distribuídos, e José estima que consigam entre 300 a 400. Vão deixá-los principalmente nos postes de electricidade da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e nas árvores do campo da Agonia, do jardim da Marina e da Marginal. Todos os cachecóis terão uma mensagem de Natal, escrita pelos alunos de Turismo, dedicada aos sem-abrigo. 

E além de ajudar quem mais precisa de conforto nestes dias frios, a comissão de praxe aproveita para incluir os novos caloiros no espírito solidário: “Tenho cerca de 50 caloiros no meu curso que quiseram fazer parte da praxe e isto serve um pouco para integrá-los, mas acima de tudo para eles ganharem consciência de que temos de estar sensibilizados para o que acontece no dia-a-dia”, alerta José Oliveira. “Quando vamos para as actividades de praxe, passamos por imensos sem-abrigo, e isto serve para sensibilizar os caloiros. Estas pessoas passam o Natal sozinhas, não podem ter aquilo que nós vamos ter”. O estudante reconhece que é uma mensagem de incentivo e “de não-esquecimento destas pessoas”: “Eles são pessoas como nós, apenas não tiveram a sorte de ter as mesmas oportunidades que nós. E não gosto de ficar de lado porque não se sabe o dia de amanhã”.

Outras actividades solidárias já realizadas pelos estudantes de Viana

Além desta iniciativa, os alunos do Politécnico, desta vez os da Escola Superior de Educação, vão realizar, também na tarde de quarta-feira, nas instalações da Escola, uma festa de Natal diferente para as crianças em risco institucionalizadas na associação O Berço. “O objectivo é proporcionar a estas crianças uma tarde de alegria e de sorrisos . Este é o espírito da nossa academia, este é o espirito desta época natalícia. Ao darmos um pouquinho do nosso tempo, mudamos vidas e criamos sorrisos”, explicou fonte da Associação de Estudantes.

No passado mês de Novembro, os alunos da Escola Superior Agrária ajudaram a Junta de Freguesia de Refóios, em Ponte de Lima, na limpeza do campo do polidesportivo, e também visitaram os utentes do lar daquela localidade. E no arranque do ano lectivo, os estudantes das seis Escolas do IPVC realizaram várias actividades para angariarem fundos de apoio a crianças de quatro instituições de Viana do Castelo – Lar Sta. Teresa, O Berço, Casa dos Rapazes e Íris Inclusiva. 

“Este ano, mais que nunca, a academia estudantil do IPVC tem-se desdobrado em actividades solidárias de integração na comunidade e na própria vivência académica da instituição”, afirma o Gabinete de Comunicação e Imagem do Instituto.

Texto editado por Ana Fernandes