ONU diz que há centenas de desaparecidos em Alepo

Rússia e EUA discutem cessar-fogo em Alepo. Responsável das Nações Unidas acusa grupos rebeldes de impedirem fuga de civis.

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Oessar-fogo será fundamental para permitir a distribuição de ajuda nas zonas controladas pelos rebeldes Omar Sanadiki /Reuters

Horas depois de a Rússia ter anunciado que os bombardeamentos em Alepo iriam ser interrompidos, os chefes da diplomacia de Moscovo e Washington concordaram em continuar a discutir as tréguas de forma a permitir a distribuição de ajuda e a fuga de civis encurralados pelos combates, afirmou o Departamento de Estado norte-americano.

O chefe da diplomacia de Washington, John Kerry, falou ao telefone na quinta-feira com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, e ambos “concordaram continuar o diálogo sobre o quadro de um cessar-fogo que permitirá a distribuição de ajuda, da ajuda humanitária tão desesperadamente necessária, tal como de uma saída segura daqueles que desejam deixar a cidade”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Elizabeth Trudeau, citada pela Reuters.

A Rússia, aliado fundamental do regime de Bashar al-Assad, tinha afirmado antes que as ofensivas contra os bairros controlados por rebeldes em Alepo iriam parar, sem que o anúncio tenha sido comentado por Damasco, refere a AFP.

Ainda não se trata de uma trégua, já que o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) dá conta de bombardeamentos violentos nos bairros rebeldes, em particular em Boustane al-Qasr – mas sem o apoio da aviação russa, nota.

De acordo com um porta-voz da ONU, os rebeldes estão a impedir a saída de civis nas zonas que controlam, em Alepo Oriental, onde vivem cerca de 100 mil pessoas. “Alguns civis que tentam fugir são bloqueados pelos grupos armados da oposição… nomeadamente pela Frente Fateh al-Sham”, a ex-Frente al-Nusra (o braço da Al-Qaeda na Síria, que diz ter abandondo os laços à organização), indicou numa conferência de imprensa o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville. “Nas últimas semanas, a Frente al-Sham e os Kataëb Abu Amara aparentemente sequestraram e mataram um número desconhecido de civis que tinham pedido aos grupos armados para deixarem o bairro e assim pouparem a vida da população”, adiantou.

Colville refere por outro lado que recebeu informações de que “centenas” de homens que fugiram da zona oriental de Alepo desapareceram quando se encontravam já em zonas controladas pelo Governo.

Esta sexta-feira, a  Assembleia Geral da ONU deverá votar um projecto de resolução a exigir o cessar-fogo imediato na Síria e o acesso ao transporte de ajuda humanitária, uma medida que um diplomata descreveu à AFP como “demasiado pouco, demasiado tarde”. A votação “mostrará que há uma maioria moral” de países “desesperados com o facto de, depois de uma série de vetos, o Conselho de Segurança não ter conseguido mostrar a unidade necessária para fazer avançar a situação na Síria”.

Ainda esta semana, a Rússia e a China vetaram uma resolução no Conselho de Segurança apelando a uma trégua de sete dias em Alepo, que o regime de Assad está prestes a tomar na totalidade. Foi a sexta vez que Moscovo vetou uma resolução sobre a Síria.

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