Ricciardi sai da liderança do Haitong Bank

Nome do sucessor na presidência executiva ainda não é conhecido.

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O mandato de José Maria Ricciardi como número um do banco de investimento termina este mês MIGUEL MANSO

Aos 62 anos, José Maria Ricciardi, o único membro da família Espírito Santo no activo, deixou o Haitong Bank (ex-BESI), onde exerceu as funções de presidente executivo nos últimos 13 anos. A informação foi confirmada esta sexta-feira pela instituição financeira, horas depois de o PÚBLICO ter avançado com a notícia.

Numa curta nota enviada à CMVM, o Haitong Bank declarou que José Maria Ricciardi “cessou hoje as suas funções” como administrador e presidente da comissão executiva, cuja liderança será assegurada pelos restantes membros “sob a responsabilidade do Senhor Hiroki Miyazato”, o chairman.

Esta quinta-feira, Ricciardi, encontrava-se em Xangai, sede do Haitong Securities, o segundo maior banco de investimento da China, onde terá sabido que não contavam com ele no próximo mandato. No meio financeiro, a mudança de cadeiras que se prepara no banco de investimento era esperada. Já a divulgação de que o banqueiro cessava imediatamente as funções surpreendeu.  

Desconhecem-se ainda quais os motivos que estarão por detrás da sua saída antes de ser conhecido o substituto. Mas a iniciativa veio por termo ao braço-de-ferro que nos últimos meses Ricciardi manteve com o presidente não executivo, e que foi resolvido a favor de Miyazato. Um “conflito” lido dentro da empresa como fruto de um choque de culturas. 

Admitia-se que o afastamento pudesse ter sido influenciado por uma recomendação do Banco de Portugal, pois ainda correm processos judiciais desencadeados pelo colapso do BES. Mas ao contrário dos restantes membros da família Espírito Santo que até 2014 desempenharam lugares de gestão no BES, e a quem foi retirado o registo de idoneidade, o BdP “ilibou” José Maria Ricciardi de actos fraudulentos. 

No Haitong, Ricciardi tem estado a assessorar o China Minsheng na compra do Novo Banco, o que acontece depois de ter conduzido, em 2014 e 2015, as negociações de venda do BESI (agora denominado Haitong Bank) ao Haitong Securities. Um negócio que gerou para o Novo Banco um encaixe de 379 milhões de euros. Não se sabe a que projectos Ricciardi se pretende dedicar no futuro.

Para além de Ricciardi, a expectativa é que outros gestores não sejam reconduzidos. A composição da próxima administração, que será mais pequena do que a actual (com 12 membros, nove dos quais executivos), deverá ser anunciada brevemente. E só depois de submetida à avaliação dos supervisores.

Hoje, o Haintong Bank é o único banco de investimento internacional com sede em Lisboa. Mas as alterações em curso podem abrir as portas a uma transferência progressiva de competências para a praça londrina. Ainda que, por força do contrato assinado com o Banco de Portugal, quando o Haitong comprou o BESI,  tenha ficado acordado que o CEO e o CFO terão de estar baseados em Lisboa (ou seja: parte do seu tempo terá de ser passado na capital portuguesa).

Da equipa executiva de Ricciardi, pode ficar Paulo Martins, próximo de Miyazato, mas não se sabe com que cargo. Fala-se ainda que Pedro Rebelo de Sousa foi sondado para ser não executivo, por ser alguém com peso político. Para além de advogado, Rebelo de Sousa foi ex-presidente do ex-BFE (agora BPI) e administrador não executivo da CGD, durante um curto período de tempo.