Crítica

Estive em Lisboa e Lembrei de Você soçobra quase sem salvação

Estive em Lisboa e Lembrei de Você soçobra quase sem salvação: incapaz de transcender um melodramatismo novelesco, tomba nas armadilhas narrativas do “filme social”.

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Há muito de intrigante no modo como, para a sua terceira longa-metragem, o português José Barahona se apropria do romance de Luiz Ruffato sobre um imigrante brasileiro que tenta a sorte de uma vida melhor em Lisboa para nele inscrever as próprias experiências dos actores não-profissionais que nele participam, e para o transmutar numa ficção em permanente contaminação pelo documentário. Mas, assim que o filme abandona Cataguazes para se instalar na capital portuguesa, Estive em Lisboa e Lembrei de Você soçobra quase sem salvação: não consegue fugir ao esquematismo de uma narrativa incapaz de transcender um melodramatismo quase novelesco, desbarata o modo naturalista como regista espaços e corpos, tomba nas armadilhas narrativas do “filme social” a que tanto quer escapar. É pena, porque a espaços se entrevê o filme que Barahona quis fazer e que Estive em Lisboa e Lembrei de Você podia ter sido.