Torne-se perito

Hipótese de injecção de capital público na banca italiana anima mercados

Notícias de aumento da participação do Estado no Monte dei Paschi abrem perspectivas de perdas mais baixas para accionistas e credores.

Itália procura solução urgente para o Monte dei Paschi di Siena
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Itália procura solução urgente para o Monte dei Paschi di Siena Reuters/STEFANO RELLANDINI

O reforço das expectativas de uma intervenção pública no banco italiano Monte dei Paschi di Siena, em que uma injecção de 2000 milhões de euros possa minimizar as perdas dos accionistas, conduziu esta quarta-feira a uma subida das bolsas europeias e a uma descida das taxas de juro da dívida pública dos países periféricos, incluindo Portugal.

Com o tempo a esgotar-se para encontrar uma solução que evite a entrada em processo de resolução do terceiro maior banco italiano, são várias as notícias a serem lançadas a público sobre a forma como as autoridades italianas, em negociação com Bruxelas e Frankfurt, pretendem resolver este problema.

A notícia que mais credibilidade conquistou junto dos mercados foi a avançada pela Reuters na manhã desta quarta-feira. Segundo esta agência, o governo italiano está a preparar um aumento da participação estatal no Monte dei Paschi dos actuais 4% para 40%. A fórmula pensada para o conseguir superando os obstáculos existentes nas novas regras europeias para o sistema bancário é a compra pelo Estado de 2000 milhões de euros de obrigações subordinadas, que posteriormente serão convertidas em acções.

Os credores que venderiam as obrigações ao Estado (na sua maioria pequenos investidores particulares) e os accionistas poderiam ter que assumir perdas, mas sempre de uma dimensão mais reduzida do que se o banco entrasse num processo de resolução.

Também esta quarta-feira de manhã, o jornal italiano La Stampa noticiou que as autoridades italianas estariam já a negociar com o Mecanismo de Estabilidade Europeu a concessão de um empréstimo de 15 mil milhões de euros ao Estado italiano para este poder usar na limpeza do sector bancário do país. Seriam aplicadas condições semelhantes às do resgate espanhol. No entanto, logo de imediato, tanto o MEE como o Tesouro italiano negaram essas negociações.

De qualquer forma, a expectativa de que se esteja a apontar para uma solução que, custando mais ao Estado italiano, evita perdas demasiado dolorosas para accionistas e credores, melhorou muito o ambiente sombrio que se tem vivido nos mercados por causa da instabilidade política italiana e dos problemas a que se assiste no sector bancário do país.

As acções do Monte dei Paschi subiram mais de 11% em bolsa esta quarta-feira, recuperando uma pequena parte das perdas sofridas desde o início do ano. E, em média, o sector bancário italiano registou ganho aproximados de 4% no valor dos seus títulos. Estes resultados contagiaram o resto dos mercados accionistas europeus que apresentaram em geral variações positivas.

Um ambiente bem mais desanuviado também se sentiu nos mercados da dívida pública. Neste caso, a lógica é a de que, se a Itália conseguir resolver os problemas que tem com os seus bancos fica numa posição muito mais favorável nas suas finanças públicas, para além de se reduzir o risco de uma saída do país do euro.

Por isso, tanto os títulos de dívida italianos como o dos outros países da Europa periférica apresentaram reduções nas taxas de juro. Em Itália, a taxa de juro a 10 anos, que chegou a estar acima dos 2% nos dias anteriores, caiu para os 1,89%.

Portugal também beneficiou e afastou-se mais um pouco da barreira dos 4%. De acordo com os dados publicados pela Reuters, a taxa de juro dos títulos a 10 anos estão agora próximas dos 3,5% e encontram-se nos valores mais baixos das últimas três semanas.

Os próximos dias serão decisivos para a resolução do problema Monte dei Paschi. Será preciso ver qual a reacção das autoridades europeias às soluções propostas pela Itália e perceber de que forma é que a demissão de Matteo Renzi e a incerteza em relação a qual será o novo Governo dificultam a adopção de soluções para os problemas do sector bancário.

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