PISA: apesar da crise, Portugal teve "progressos incríveis"

Portugal teve “progressos incríveis” no PISA, diz o director do departamento de Educação da OCDE, Andreas Schleicher, numa pequena entrevista por email ao PÚBLICO

Responsável da OCDE diz que a aprendizagem mudou em Portugal
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Responsável da OCDE diz que a aprendizagem mudou em Portugal ADRIANO MIRANDA

Portugal foi um dos países com um dos mais fortes progressos desde a primeira edição do PISA, em 2000. Que características destaca na evolução portuguesa?
Portugal registou progressos incríveis, nomeadamente entre 2000 e 2009, mas também na edição de 2015 do PISA e isto apesar de uma situação muito difícil durante a crise financeira. De facto, Portugal é um dos poucos exemplos onde se podem ver progressos muito fortes e consistentes ao longo de muitos anos.

Por detrás desta evolução estão uma série de reformas importantes, incluindo algumas difíceis, como a de estabelecer um currículo que pretende ir além da mera reprodução de conteúdos.

Se compararmos os resultados do PISA de 2000, com o de 2009, constatamos que os estudantes estão melhor nas respostas a perguntas que envolvem tarefas que exigem que tenham de criar em vez de apenas reproduzir conhecimentos, o que aponta para mudanças no ensino e na aprendizagem.

E que outras reformas considera importantes?
A da gestão das escolas ocorrida em 2008, que reforçou a liderança do director, e outras mudanças de peso que reforçaram a profissão docente e contribuíram para que os professores melhorassem. Em linha com as melhores práticas, Portugal também reforçou as políticas a nível local e das escolas, incluindo o alargamento da responsabilidade dos municípios do pré-escolar até ao 3.º ciclo, em aspectos como as infra-estruturas, acção social e contratação de pessoal não docente.

Portugal é também um dos países com maiores diferenças de género, a favor dos rapazes, na literacia científica e Matemática. Como interpreta esta situação?
Sim, Portugal tem ainda um caminho a percorrer para aproximar os resultados dos rapazes e da raparigas e, mais ainda, para proporcionar que tenham as mesmas aspirações quanto a carreiras futuras.

O PISA mostra que os rapazes que aspiram a seguir carreiras na área das ciências e das engenharias são o dobro das raparigas, mesmo que tenham os mesmos resultados nos testes do PISA. É a combinação entre o desempenho dos alunos e o seu envolvimento na aprendizagem que contribui para maiores aspirações de carreira.