As fotos da Vera numa caixa sem fundo

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Separadores, diagramas, pastas, palcos, navegar, filtrar, desdobrar, gigante, viagem, história, rolos, negativos, megas, momentos, amigos, muitos. Estas palavras ficam no bloco de notas depois de uma conversa com Vera Marmelo, dona de "uma caixa sem fundo" em que mete "demasiadas fotografias", matrioscas onde vivem as pessoas que vai conhecendo, as bandas dessas pessoas, os microfones e as guitarras dessas bandas e os amigos dos amigos dos amigos, que entretanto já fazem parte da sua árvore genealógica — sim, esta também é a sua família. "Sei que produzo muito. Não é 'Os Maias', é o resumo 'Europa América'", admite Vera, prestes a estrear o site com o seu nome (depositou as "esperanças de organização" da sua cabeça no atelier Desisto), "um amigo à altura" do blogue v-miopia, que comemora dez anos online. "Significa isto que já está mais que na altura de olhar um bocadinho para trás, arrumar memórias e tentar perceber o que tenho andado a fazer. São muitas pessoas, muita energia gasta a acompanhar de forma muito livre o que eu acredito ser um bocadinho da história da música que temos andado a ouvir em Portugal." Outfest. "As coisas começaram aí", diz Vera ao telefone. Como não sabia tocar nada ("comecei a aprender a tocar guitarra, mas facilmente desisti"), a fotógrafa começou a fotografar "por necessidade". "Todos faziam música. Eu achava tão fixe que queria partilhar." A partir daí que não pára, escuta e olha. E não sabe quantas bandas já passaram pelo seu palco — porque é raro fotografar no fosso como os outros fotógrafos. "Sei lá, nunca contei... mais de cem?" Começou com 16 anos, com uma máquina de dois megapixels. Hoje gosta de navegar no seu próprio Instagram, que a ajuda a ter vontade de fotografar "coisas diferentes", a "valorizar um diário", a "preservar", a "comunicar com pessoas", a "ganhar relações".