Nestlé promete chocolate com o mesmo sabor e menos 40% de açúcar

Empresa espera começar a fabricar novos produtos em 2018.

A descoberta vai permitir cumprir o compromisso da marca em relação a produtos mais saudáveis
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A descoberta vai permitir cumprir o compromisso da marca em relação a produtos mais saudáveis vmc Vitor Cid

A Nestlé anunciou, na quarta-feira, a descoberta de um processo natural que reduz o teor de açúcar dos seus chocolates em 40%, sem alterar o sabor. O processo esteve a ser testado durante dois anos e prevê-se que seja introduzido no fabrico de chocolates e doces até 2018.

O director de tecnologia da empresa suíça, Stefan Catsicas, disse ao Financial Times que a decisão de "diminuir o conteúdo total de cristais de açúcar” passou por alterar o próprio cristal, de modo a que se dissolva mais depressa. Os humanos só sentem o sabor de uma fracção do açúcar que consomem, porque os cristais só se dissolvem quando estão a ser engolidos. Segundo a Nestlé, esse é o motivo por que esta inovação permite reduzir o teor de açúcar sem alterar o sabor. A multinacional testou o resultado junto de um painel de degustação, que confirmou que o sabor não sofria alterações.

Empresas como a Nestlé ou a Coca-Cola estão a ser pressionadas a reduzir o teor de açúcar dos seus produtos, devido à epidemia global da obesidade. A multinacional suíça publicita a produção de alimentos mais saudáveis desde 2004 e já conseguiu produzir um gelado (da marca Dreyers, que não está disponível em Portugal) com metade da gordura.

Os impostos sobre o açúcar e a gordura em alimentos já são uma realidade em países como o México, África do Sul e o Reino Unido. Em Portugal, um imposto semelhante sobre bebidas açucaradas foi aprovado no Orçamento do Estado para 2017, entrando em vigor em Fevereiro do próximo ano. O objectivo é desincentivar o consumo de produtos “nocivos para a saúde”.

Tanto em adultos como em crianças, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda reduzir a ingestão de açúcares a menos de 10% da ingestão calórica total. Dados da OMS sugerem que o consumo no Reino Unido e em Espanha ronda os 16 a 17%.