Ronaldo e Mourinho entre os suspeitos de fugirem aos impostos no futebol

Empresário Jorge Mendes apontado como sendo o cérebro de um esquema de fuga ao fisco.

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AFP/PIERRE-PHILIPPE MARCOU

Os casos de Messi e de Neymar foram os mais falados nos últimos tempos. Agora é a vez de Cristiano Ronaldo e também José Mourinho verem os seus nomes associados a práticas que indiciam fuga aos impostos.

Os dados são avançados por um grupo de 12 jornais europeus, entre os quais o semanário Expresso, que integram o consórcio europeu de investigação (EIC) num trabalho que recebeu o nome de Football Leaks.

Segundo os 18,6 milhões de documentos analisados  Ronaldo e Mourinho, entre outros, terão beneficiado de um gigantesco e sofisticado sistema de evasão fiscal.

O internacional português terá colocado 150 milhões de euros em paraísos fiscais durante os últimos sete anos. O esquema terá sido montado por Jorge Mendes, o conhecido agente de futebol e terá sido também utilizado pelo mais conhecido treinador português. O empresário é apontado como sendo o cérebro de um complexo esquema de evasão fiscal e dissimulação de rendimentos.

O estratagema implicava a cobrança dos direitos de imagem dos craques do mundo do futebol por parte de empresas fantasmas, sem actividade real ou funcionários e sediadas nas Ilhas Virgens  Britânicas, Irlanda ou países do Caribe.

De acordo com os dados analisados pelo consórcio jornalístico, também José Mourinho terá fugido aos impostos num valor a rondar os 12 milhões de euros.

Já esta quinta-feira, e ainda antes da publicação da referida investigação, a empresa de Jorge Mendes, a Gestifute, garantia em comunicado que Ronaldo e Mourinho têm as suas obrigações fiscais em dia e que nunca estiveram envolvidos em qualquer processo judicial.

A nota escrita, enviada à Lusa, esclarece que qualquer acusação ou insinuação em relação a este tema será resolvida nos tribunais.

A tomada de posição da Gestifute foi realizada na sequência da notícia publicada pelo jornal espanhol El Confidencial que acusa Cristiano Ronaldo de ter utilizado durante anos uma empresa da Irlanda, com sede em Dublin, a Multisports & Image Management (MIM) Limited, para explorar os seus direitos de imagem e arrecadar os proveitos milionários que obtém com eles. No entanto, até à divulgação do comunicado, o nome de Mourinho não tinha surgido na polémica.