Porto vai recuperar igrejas do centro histórico com fundos comunitários

Rui Moreira fala num projecto "inclusivo", que inclui outras iniciativas de carácter religioso.

Igreja de Santo Ildefonso é um dos edifícios a reabilitar
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Igreja de Santo Ildefonso é um dos edifícios a reabilitar ADRIANO MIRANDA

Um presépio vivo, Via Sacra, cortejo de Carnaval, a recriação da tragédia da Ponte das Barcas e restaurar todas as igrejas do centro histórico são algumas das iniciativas que o Porto vai realizar com 1,5 milhões de fundos comunitários.

Todas as igrejas do centro histórico do Porto – Igreja de S. Lourenço, Igreja das Almas S. José das Taipas, Igreja de S. Nicolau, Capela da Senhora do Ó, S. João Novo e Santo Ildefonso – vão ser restauradas e vão recuperar tradições antigas religiosas no âmbito de uma candidatura ao Portugal/Norte 2020 (PT2020), intitulada Valorização do Património Religioso do Centro Histórico do Porto, e que foi aprovada com verbas atribuídas no valor de "1,523 milhões de euros", anunciaram hoje os responsáveis pela candidatura, numa cerimónia pública de apresentação do projecto.

Para o presidente da Câmara do Porto, um dos parceiros institucionais da candidatura, este projecto é "inclusivo". "Espero que este projecto consiga agregar a população para que se criem novos sentimentos de pertença", declarou Rui Moreira.

O director Regional da Cultura do Norte, António Ponte, lembrou na cerimónia de apresentação do projecto, que decorreu nesta quinta-feira no Auditório da Casa do Infante, junto à Ribeira do Porto, que o Ministério da Cultura se "bateu" para que a candidatura "fosse articulada em rede pelas igrejas", para "promover o património" e também para garantir um "maior envolvimento e com uma economia de escala que trará mais rendimento".

"O apoio e envolvimento das várias instituições numa verdadeira parceria público-privada para que haja partilha de responsabilidade para salvaguardar o património e pô-lo ao serviço da comunidade para a sua sustentabilidade" foi outra das ideias defendidas por António Ponte, em representação do Ministério da Cultura.

O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, enumerou, seu turno, três palavras – "gratidão", "compromisso" e "desafio" –, que veiculam as três ideias que tem sobre aquela candidatura que serve para reabilitar e valorizar o património religioso do centro histórico do Porto. O clérigo assumiu que sem "a ajuda" da Câmara do Porto e da Direcção Regional da Cultura do Norte, para "perceber o momento" que se vive e o valor do património do centro histórico, património mundial da Unesco desde 1996, a Igreja não teria conseguido vencer a candidatura.

"Nós não estaríamos aqui hoje (...) para levar por diante esta candidatura em tempo recorde", referiu D. António Francisco dos Santos, lembrando que "agora é hora do compromisso para a Igreja" e defendendo que quer que as "igrejas sejam úteis" para o culto religioso e para a valorização da cultura, da cidade e sentido de pertença da comunidade local de forma harmoniosa.

Para António Francisco dos Santos, este projecto e esta candidatura têm de "ser escola para o futuro" na linha de abertura e de "inclusão".