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Aviação arrisca novas greves em Dezembro

Trabalhadores do handling vão fazer paralisação parcial na segunda-feira. Grupo de trabalho criado pelo Governo para resolver problemas do sector está ameaçado.

Sindicatos contestam licença dada à empresa que substituiu Portway na assistência à Ryanair
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Sindicatos contestam licença dada à empresa que substituiu Portway na assistência à Ryanair MELANIE MAPS

O sector da aviação arrisca-se a viver novas greves em Dezembro por causa dos protestos dos trabalhadores do handling. Na próxima segunda-feira, há uma paralisação parcial de três horas para a realização de um plenário ao qual o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) vai levar uma proposta para intensificar as acções de protesto na Groundforce e na Portway.

O sindicalista Fernando Henriques confirmou que é essa a intenção, cabendo aos trabalhadores presentes na concentração deliberar sobre a marcação de novas greves e a duração das mesas. O Sitava, que agendou o plenário para a porta da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), contesta algumas das posições do regulador, nomeadamente o atraso na emissão do parecer sobre a venda da TAP (que, ao que o PÚBLICO apurou, poderá ser conhecido na próxima semana). Outro ponto de discórdia é a licença atribuída à Ryanair e à Groundlink, quando a companhia low cost cessou o contrato com a Portway.

A greve parcial de segunda-feira decorrerá entre as 11h e as 14h e foi agendada para permitir que os funcionários participem no plenário. É expectável que a paralisação cause algumas perturbações na operação das transportadoras aéreas, causando atrasos em alguns voos. Fernando Henriques referiu que “a expectativa é que a participação seja elevada” porque “os perigos que a Groundforce e a Portway enfretam são enormes e as pessoas têm consciência disso”.

O sector do handling está num momento de indefinição há vários anos, arrastando-se sem desfecho o processo de atribuição de licenças aos operadores. Este era, aliás, um dos temas em discussão num grupo de trabalho criado pelo Governo e que envolve vários sindicatos, as empresas e a própria ANAC. As negociações, porém, encontram-se num impasse desde que o Sitava emitiu um comunicado muito contestado pela ANA e pela Portway (que pertende ao grupo da gestora aeroportuária comprada em 2013 pela francesa Vinci).

Estava agendada uma reunião para 9 de Novembro na qual a ANA e a Portway recusaram estar presentes, na sequência do comunicado, enviado seis dias antes, em que o sindicato usava uma imagem de um campo de concentração em Auschwitz que ilustrava com o nome da operadora de handling sob o lema “arbeit macht frei”. Perante a ausência das duas empresas no encontro, o Governo acabou por desmarcá-lo e ainda não voltou a ser agendada nova data.

Fernando Henriques diz que o Sitava “não tem qualquer indicação” de que o adiamento da reunião esteja relacionado com o teor do comunicado. E frisa que o documento enviado aos associados “não nasce do zero”. “Mais do que uma imagem, o que importa é o conjunto de acções que estão a acontecer há muito tempo e que são muito mais chocantes e agressivas”, afirmou.

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