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BE não aplaudiu discurso do rei de Espanha. Porquê?

Bloco de Esquerda “mantém a posição de sempre, republicana, e não naturaliza relações de poder com base em relações de sangue e não em actos democráticos.”

Os reis de Espanha na Câmara Municipal de Lisboa
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Os reis de Espanha na Câmara Municipal de Lisboa Nuno Ferreira Santos

A manhã desta quarta-feira foi toda ela cheia de formalismos e protocolos por causa da visita dos reis de Espanha a Portugal. Na Assembleia da República, no plenário, deputados e convidados levantaram-se para ouvir os hinos dos dois países e, antes, quando Felipe VI e Letizia entraram na sala e o rei subiu à tribuna, também. Os bloquistas levantaram-se neste momento, porque os monarcas estavam acompanhados pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues. Mas ficaram sentados e não aplaudiram quando Felipe VI acabou de discursar. Porquê?

A explicação veio de um responsável do Bloco de Esquerda e foi apresentada como justificação oficial: “O Bloco de Esquerda valoriza a importância das relações entre o Estado português e o Estado espanhol. Mas mantém a posição de sempre, republicana, e não naturaliza relações de poder com base em relações de sangue e não em actos democráticos.”

Quem também não se levantou no fim do discurso do rei foi o PAN. Os comunistas e o PEV levantaram-se mas não aplaudiram como socialistas, sociais-democratas e centristas.

Não é a primeira vez que Bloco de Esquerda assume uma postura como esta numa cerimónia com a realeza. Em 2000, quando o então rei Juan Carlos foi também à Assembleia da República, os dois deputados bloquistas Francisco Louçã e Luís Fazenda não estiveram presentes. Nunca foi bem aceite por bloquistas o princípio monárquico, o poder ser hereditário.