DBRS coloca rating da CGD sob perspectiva negativa

Agência de notação financeira canadiana explica que a decisão está relacionada com a saída da administração e com o plano de recapitalização. Banco poderá descer para "lixo".

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paulo pimenta

A agência canadiana DBRS (que tem sido responsável por manter a dívida pública portuguesa no programa de compra de activos do Banco Central Europeu) colocou a dívida da Caixa Geral de Depósitos sob revisão e com perspectiva negativa, na sequência da saída de António Domingues e de boa parte da equipa de administração do banco público. 

A revisão, explica um comunicado da agência, reflecte “o aumento do risco que o grupo está a enfrentar” no que diz respeito a assuntos de governança corporativa, os problemas da recapitalização planeada, e ainda “as dificuldades contínuas em melhorar a rentabilidade e a qualidade dos activos”. O comunicado especifica que a revisão “vai considerar como a recente demissão, a 27 de Novembro, da maioria do conselho de administração afectará a reestruturação planeada do grupo”. Para além disso, a DBRS mostra preocupações com “os atrasos” na execução do plano de recapitalização.

A recapitalização da caixa passa por um aumento de capital de 5160 milhões de euros, que já foi aprovado pelas autoridades europeias. Deste montante, 2700 milhões serão uma injecção de dinheiro público, 500 milhões virão da ParCaixa (uma empresa pública de gestão de capitais) e 960 milhões de instrumentos de capital contingente subscritos pelo Estado. Para que a recapitalização cumpra as regras de Bruxelas é preciso ainda a emissão de 1000 milhões de euros de dívida, que terá de ser comprada por privados.

Ao abrigo da revisão, que terá uma duração máxima de três meses, serão analisados 12 instrumentos financeiros da Caixa e a notação global do grupo, actualmente em BBB(baixo), também poderá sofrer alterações. Caso haja uma descida desta nota, o banco público passará a não ser considerado pela agência como digno de investimento, uma categoria que é frequentemente conhecida como "lixo". 

A saída de António Domingues foi comunicada pelo Governo no domingo à noite, deixando o executivo à procura de uma solução (que terá de ser aprovada pelo Banco Central Europeu), depois de meses de impasse na questão da apresentação das declarações de rendimento e património.

As perspectivas sobre a economia portuguesa também desempenharam um papel na decisão de colocar sob perspectiva negativa a notação da Caixa Geral de Depósitos. “A DBRS considera que a CGD continua a ter um desafio no regresso aos lucros sustentáveis, devido a uma contínua deterioração da qualidade dos activos e ao desafiante ambiente em que opera, que é caracterizado por taxas de juro baixas, aumento da regulação e fracas perspectivas económicas para Portugal”.