Nova Universidade de Engenharia e Tecnologia no Peru vence prémio dos arquitectos britânicos

Paulo Mendes da Rocha recebe a Medalha de Ouro. O Arquipélago, centro de artes nos Açores, estava na lista dos nomeados para esta primeira edição internacional dos prémios RIBA.

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UTEC – Universidade de Engenharia e Tecnologia do Peru, em Lima Arquivo RIBA
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Paulo Mendes da Rocha, arquitecto do novo Museu dos Coches Nuno Ferreira Santos

O novo edifício da UTEC – Universidade de Engenharia e Tecnologia do Peru, em Lima, foi o vencedor da primeira edição de âmbito internacional do prestigiado Prémio Stirling, uma das distinções anualmente atribuídas em Londres pelo Royal Institute of British Architects (RIBA).

Projectada pelo atelier irlandês Grafton Architects, com sede em Dublin, a nova universidade foi escolhida pelo júri presidido por Lord Richard Rogers, de entre uma shortlist que incluía o projecto português Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas da Ribeira Grande, nos Açores, dos arquitectos João Mendes Ribeiro, Francisco Vieira de Campos e Cristina Guedes, mas também o centro de artes em Bacu, Azerbaijão, desenhada pela recentemente desaparecida Zaha Hadid (1950-2016).

O novo edifício da UTEC é “um exemplo excepcional de arquitectura civil; um edifício projectado a pensar nas pessoas”, disse o arquitecto Richard Rogers, a justificar a escolha. Na acta final, o júri descreve o projecto da Grafton Architects como um complexo de “terraços paisagísticos com aberturas, plataformas e grutas”, classificando-o mesmo como “um Machu Picchu dos nossos dias”. E acrescenta que os arquitectos “criaram uma nova forma de pensar o campus universitário com uma estrutura distintiva de campus vertical que responde às condições climáticas e respeita o sítio e a herança do Peru”. Além de considerar que a nova UTEC foi “desenhada com o objectivo de encorajar os estudantes a interagirem com o edifício”, através de uma circulação aberta e com vários espaços de encontro.

Já a presidente do RIBA, Jane Duncan, vê no edifício “um acrescento excepcional à cidade de Lima”, que pode “inspirar outros arquitectos e universidades em todo o mundo”.

Reagindo ao prémio, e citadas pela BBC, as directoras do atelier Grafton Architects, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, agradeceram e mostraram-se “muito honradas”. “Achámos que as aspirações educativas do cliente, em conjunto com as condições climáticas únicas de Lima, nos davam a oportunidade de ‘inventar’ um novo campus vertical para a sua nova Universidade de Engenharia”, acrescentaram as arquitectas irlandesas.

Além do Arquipélago e da obra de Zaha Hadid – já distinguida como o Prémio Stirling por duas vezes, pelo MAXXI – Museu Nacional das Artes do Século XXI, de Roma (2010), e pela Academia Evelyn Grace, em Londres (2011); e também com a Medalha de Ouro do RIBA do corrente ano –, estiveram na shortlist a sala de concertos e biblioteca que o atelier DRDH (Daniel Robsttom + David Howart) fez para a cidade de Bodo, na Noruega; o monumento que o arquitecto Philippe Prost realizou para o cemitério militar de Nossa Senhora do Loreto, em Arras, no Nordeste de França; e o Museu Jumex, que David Chipperfield (Prémio Stirling em 2007) desenhou para a Cidade do México.

Na categoria destinada a um projecto construído no Reino Unido, e atribuído no mês passado, o RIBA distinguiu a Newport Street Gallery, em Londres, projectada pelo atelier Caruso St. John, para acolher a colecção privada do artista britânico Damien Hirst.

Em paralelo com o Stirling Prize, que existe desde há meio século, o RIBA atribui também, desde 1848, cerca de uma década após a sua fundação, a Medalha de Ouro a celebrar a carreira de um arquitecto. A próxima medalha, com a chancela da própria rainha de Inglaterra, e que será entregue já em 2017, é destinada a Paulo Mendes da Rocha (o autor do novo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa), que o RIBA apresenta como “o mais celebrado arquitecto brasileiro vivo”, e que assim se torna no segundo arquitecto deste país distinguido pelo Reino Unido, depois de Óscar Niemeyer, em 1998 – recorde-se que também Álvaro Siza foi já distinguido pelo RIBA, em 2009.

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