O festival de gastronomia acontece a 25 e 26 de Novembro Arquivo PÚBLICO
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O festival de gastronomia acontece a 25 e 26 de Novembro Arquivo PÚBLICO

Ponta Delgada acolhe festival de gastronomia do mundo

Pratos típicos de Cabo Verde, da Ucrânia, do Brasil, de Angola e de outros países Oriente vão ser servidos na Academia das Artes de Ponta Delgada, a 25 e 26 de Novembro

Sabores de mais de 70 países vão poder ser apreciados no festival O Mundo Aqui, no próximo fim-de-semana, em Ponta Delgada, Açores, numa iniciativa que quer criar e reforçar laços entre os imigrantes e a comunidade. Esta edição do festival "vai decorrer na Academia das Artes, em Ponta Delgada, e tem o objectivo de celebrar a diversidade cultural e promover a interculturalidade", disse o presidente da Associação de Imigrantes nos Açores (AIPA), Paulo Mendes, em declarações à agência Lusa.

O festival, que se realiza de forma ininterrupta há oito anos, surgiu na sequência do programa de rádio "O Mundo Aqui", que ajuda a sensibilizar a comunidade para a questão da imigração. "Hoje, mais do nunca, há uma narrativa cada vez maior de anti-imigração, um discurso anti-diversidade, e achamos que se justificam iniciativas como esta", salientou Paulo Mendes, acrescentando que a iniciativa permite igualmente divulgar a cultura açoriana.

Na Academia das Artes estará disponível uma oferta gastronómica com pratos típicos de Cabo Verde, Ucrânia, Oriente, Brasil e Angola, incluindo ainda um programa musical, dança, cozinha ao vivo vegetariana e um "workshop" de iniciação à dança oriental.

O presidente da AIPA disse ainda que existem mais de 70 nacionalidades nos Açores, estimando que residam no arquipélago mais de 3.500 imigrantes, oriundos de Cabo Verde, Brasil, Alemanha, China e Guiné-Bissau — as comunidades com maior representatividade. Paulo Mendes acrescentou que se registou uma diminuição dos fluxos migratórios para a região, decorrente da situação económica, indicando que muitos dos imigrantes se deslocam para os Açores através do reagrupamento familiar.

"O contexto é de estabilização dos fluxos migratórios, o que permite um trabalho com maior proximidade às comunidades. Estamos a ter um olhar mais cuidado em relação a segunda geração de descendentes de imigrantes", explicou, indicando que as principais dificuldades deste grupo populacional é a questão laboral e de regularização no país de destino.

A entrada para o festival tem um custo de dois euros e o presidente da AIPA apela à participação no evento, que visa criar "uma corrente de valorização da diversidade cultural".