Opinião

Contributo para uma Nova Cidade - o campus da Universidade NOVA de Lisboa em Campolide

Lisboa é hoje uma grande capital europeia, cosmopolita e com excelentes padrões de qualidade de vida, incluindo a segurança, difíceis de igualar no nosso continente.

Em várias zonas da cidade situam-se, na maior parte dos casos com escassa inserção nas realidades locais, instituições de ensino, universitário e politécnico, que constituem importantes polos onde se concentra uma população flutuante de estudantes que chega de manhã e parte ao final do dia, muitos apenas em períodos bem definidos do ano. Mesmo os estudantes internacionais, e temos muitos, não sentem ainda a identidade de Lisboa como uma cidade universitária porque só recentemente, e muito bem, a Câmara Municipal de Lisboa lançou mãos à obra através do programa Study in Lisbon que mobilizou, com sucesso, as instituições de ensino superior da cidade.

Existem em Lisboa, tal como em todas as outras grandes capitais europeias, várias instituições de ensino superior que deviam ter uma voz concertada na cidade em áreas tais como, por exemplo, o alojamento e o desporto. Uma vantagem da oferta académica diversificada é permitir dar resposta às múltiplas aspirações dos estudantes, nacionais e estrangeiros, em todas as áreas do conhecimento mas, infelizmente, são poucas as iniciativas conjuntas, mestrados ou doutoramentos, entre diferentes instituições universitárias da cidade.

Por outro lado, Lisboa ainda não é reconhecida internacionalmente como uma cidade do conhecimento até porque, no século XXI, esse atributo deixou de depender, exclusivamente, das instituições de ensino superior. Nos dias de hoje a cultura, a ciência e a tecnologia estão cada vez mais ligadas à inovação, ou seja, à criação de valor a partir do conhecimento partilhado em rede, dentro e fora da academia, e usado por toda a sociedade. Para quando uma rede universitária de inovação em Lisboa atuando em estreita parceria com a cidade?

Esta parceria, nas cidades onde já existe, revelou-se muito benéfica para ambas as entidades: a universidade passou a assumir o seu papel no desenvolvimento da cidade, nos mais variados domínios, enquanto esta passou a considerar a instituição universitária como parceira na análise e na resolução dos problemas urbanos. Trata-se de uma nova forma de pensar, agir e viver na cidade, transformando-a numa Nova Cidade.

A NOVA, virada para essa realidade urbana do século XXI, é uma jovem universidade com vários campi na cidade de Lisboa e na respetiva Área Metropolitana. Tem, no entanto, uma característica singular: muitos dos seus edifícios, situados na capital, são anteriores a 1973, ano em que foi fundada, e alguns fazem parte do património histórico da cidade que tem sido integralmente respeitado pela NOVA.

Começo por lembrar a Colina de Santana onde a NOVA não só modernizou o Edifício da antiga Escola Médica, onde está instalada a Faculdade de Ciências Médicas, agora chamada Nova Medical School, como construiu, nesse mesmo local, um grande centro de investigação dedicado ao estudo das doenças crónicas, reabilitando uma parte das antigas instalações do Instituto Câmara Pestana. É hoje gratificante percorrer o Campo dos Mártires da Pátria e encontrar muitos jovens, de várias nacionalidades, que aí passam uma grande parte dos seus dias, a estudar, a investigar e também a disfrutar de um espaço que o Município, através da Junta de Freguesia de Arroios, tornou mais atrativo como local de convívio e de habitação.

Do outro lado da cidade, entre a Praça de Espanha e o Parque Eduardo VII, fica o campus de Campolide da NOVA, local também de grande interesse histórico porque foi aí que os jesuítas, quando voltaram para Portugal, no século XIX, instalaram um importante colégio onde estudou, no princípio do século XX, Almada Negreiros. Com a implantação da República, em 1910, todo o espaço do colégio transformou-se num quartel intimamente ligado à Guerra do Ultramar até que, em meados da década de oitenta, a NOVA, através da sua Faculdade de Economia, agora chamada Nova SBE, aí se instalou depois ter realizado extensas obras de reabilitação. O campus foi renovado com a construção do Edifício da Reitoria, Prémio Valmor da Câmara Municipal de Lisboa, oficialmente inaugurado em 2002.

O campus da NOVA, em Campolide, confina a norte com as instalações de dois grandes bancos, com a Mesquita Central de Lisboa e com uma escola secundária. Muito perto fica uma unidade de cuidados médicos ambulatórios, das mais procuradas da cidade. Toda esta “população”, constituída por alguns milhares de pessoas, merece disfrutar diariamente da cidade a partir de uma área pedonal que está tão próxima do Parque Eduardo VII, a sul, mas aonde só pode chegar, atualmente, a partir da Avenida António Augusto de Aguiar. Do lado poente situa-se uma outra escola secundária e a Avenida Miguel Torga, eixo importante da freguesia de Campolide.

Esta localização singular do campus tem a ver com a área ocupada primitivamente pelo Colégio dos Jesuítas e com o posterior crescimento da cidade à sua volta. Não é qualquer campus universitário que goza do privilégio de ter, no seu interior, a Igreja Paroquial de Santo António de Campolide e na sua vizinhança muito próxima, a Mesquita Principal de Lisboa. Consciente do seu papel na cidade a NOVA vai requalificar, com receitas próprias, o espaço exterior do campus de Campolide tornando-o um local mais acolhedor para estudantes, professores e funcionários, mas também para toda a cidade, em diálogo com a autarquia, desde a Junta de Freguesia de Campolide até ao Município de Lisboa.

Em Campolide, a NOVA está disponível para apoiar o desenvolvimento global desta zona de Lisboa através das parcerias que já existem com as instituições vizinhas, que pretende aprofundar, promovendo iniciativas cívicas, sociais, culturais e desportivas. A passagem da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas das suas atuais instalações na Avenida de Berna para Campolide será uma mais-valia essencial neste plano que visa transformar o campus de Campolide num espaço de promoção do conhecimento e da cultura, inserido na Nova Cidade.

A candidatura ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa, com uma proposta de requalificação da Rua da Mesquita, poderá ser vista por alguns como um pequeno passo mas constitui o primeiro dos vários passos para a construção de uma estratégia global para esta área de Lisboa, que pode vir a ser um dos polos mais inovadores da Nova Cidade.

Lisboa está a mudar para melhor e precisa de novos desafios. Aqui está o contributo e o empenho da NOVA em Campolide.