No antigo Centro Comercial Cruzeiro, no Monte-Estoril, vai nascer um pólo cultural

A Câmara de Cascais quer converter o edifício, que esteve para ser demolido, na Academia das Artes do Estoril.

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A Câmara de Cascais prevê investir quatro milhões de euros na requalificação do Cruzeiro Dário Cruz/Arquivo
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O projecto que vai ser concretizado é do arquitecto Miguel Arruda DR
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Esteve para ser demolido para dar lugar a um novo edifício de habitação, mas afinal o antigo centro comercial Cruzeiro, no Monte Estoril, vai ser convertido num pólo cultural vocacionado para as artes performativas. A Câmara de Cascais prevê investir quatro milhões de euros neste projecto.

Esta segunda-feira, a autarquia tornou-se proprietária do edifício, que adquiriu ao Fundo de Pensões do BPI pelo “valor simbólico” de 100 mil euros. Na cerimónia de assinatura da escritura de compra e venda, a Câmara de Cascais aproveitou para dar a conhecer à população o projecto que tem para a requalificação do imóvel.

No início de 2012, a demolição do edifício projectado pelo arquitecto Filipe Nobre de Figueiredo era a hipótese que estava em cima da mesa. A intenção do então proprietário do imóvel, que foi muito contestada na altura, passava por construir no local “um edifício habitacional de quatro pisos e três fogos por piso”.

Em declarações ao PÚBLICO, o presidente da Câmara de Cascais explica que a hipótese de se deitar por terra o Cruzeiro foi abandonada depois de um estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil ter concluído que o edifício apresentava problemas ao nível estrutural mas também que era possível preservá-lo.

“Do ponto de vista arquitectónico não é um edifício com espectacular relevo, mas é um edifício icónico do Estoril e do Monte-Estoril”, afirma Carlos Carreiras para justificar a opção do município. O autarca acrescenta que o acordo que foi firmado com o BPI para a venda do imóvel por um “valor simbólico” assentou na premissa de que, sendo a sua reabilitação possível, ele seria consagrado a fins sociais ou culturais.

O projecto agora revelado prevê que o antigo centro comercial (que a câmara diz ter sido “o primeiro do país”) dê lugar à “Academia das Artes do Estoril”. Segundo Carlos Carreiras, no seu interior irão instalar-se o Teatro Experimental de Cascais (e a sua escola) e uma academia de dança. No torreão do imóvel nascerá “uma grande biblioteca e mediateca relacionada com o teatro e com o cinema”.

O presidente da Câmara de Cascais sublinha que aquilo que se pretende é que o novo equipamento se relacione com outros já existentes na envolvente (como o Museu da Música Portuguesa e o Conservatório de Música de Cascais), constituindo-se “a Vila das Artes do Estoril”. Carlos Carreiras acrescenta que está a ser estudada a hipótese de também “o antigo mercado do Estoril, por detrás do Cruzeiro” vir a ser integrado neste projecto, assumindo uma nova valência na área das artes performativas.

A expectativa do autarca social-democrata é que o Cruzeiro possa ser “reinaugurado” em 2018 ou, na pior das hipóteses, em 2019. O projecto que vai ser concretizado é do arquitecto Miguel Arruda e prevê, como se explica num comunicado do município, a manutenção da fachada do edifício e a “total demolição e posterior construção do seu interior”. Segundo o arquitecto, o Cruzeiro é “uma das referências arquitectónicas do concelho de Cascais”, denotando esta construção de 1951 “a presença de duas linguagens distintas, uma de carácter modernista, outra de teor classicista”.