Easyjet alcança 5,4 milhões de passageiros em Portugal

Tráfego aumentou 19%, com destaque para um forte crescimento no Porto, onde passou a segunda maior companhia ao ultrapassar pela primeira vez a TAP.

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BLR bruno lisita

A Easyjet atingiu 5,4 milhões de passageiros em Portugal, ultrapassando a meta de cinco milhões que tinha fixado para o ano fiscal que terminou em Setembro. Para 2017, a companhia, que tem crescido de uma forma mais exponencial no Porto, pretende aumentar para seis milhões o número de lugares à venda, o que implicará um crescimento de 10% na oferta.

No dia em que apresentou uma queda de 28% nos lucros globais (para 575 milhões de euros), fruto da desvalorização da libra, das greves e dos atentados terroristas, a companhia revelou que, em território nacional, os resultados estão muito acima do esperado.

Embora não divulgue indicadores financeiros específicos por mercado, José Lopes, director comercial da Easyjet para Portugal, explicou que o ano que agora terminou “foi muito bom, tanto em termos de tráfego, como de load factor [ocupação dos aviões]”.

A transportadora aérea transportou “mais 860 mil passageiros do que no ano anterior, com crescimentos transversais em todos os aeroportos”, notou. A maior subida em termos percentuais aconteceu em Ponta Delgada (144%), mas a base é ainda muito pequena, com cerca de 45 mil passageiros. Foi no Porto que se deu o acréscimo mais significativo: 400 mil novos clientes, o que se traduziu num aumento de 38%.

A Easyjet tornou-se, aliás, a segunda maior companhia do aeroporto Francisco Sá Carneiro no trimestre entre Julho e Setembro, ultrapassando pela primeira vez a TAP, como noticiou recentemente o PÚBLICO com base em estatísticas da Autoridade Nacional da Aviação Civil.

Os planos da empresa para esta cidade no próximo ano passam por ultrapassar 1,5 milhões de passageiros (mais 100 mil do que agora), através “de um reforço da qualidade e da frequência dos destinos já existentes”, adiantou José Lopes.

Por Lisboa, o aumento do tráfego foi de 11%, correspondendo a mais 210 mil passageiros e a um total de 2,1 milhões (a meta era de dois milhões). Neste campo, a companhia tem defendido que se encontre uma solução para os actuais constrangimentos no aeroporto, mas recusa deslocar a sua operação para outra infra-estrutura complementar à Portela.  

“A Easyjet quer continuar a crescer no aeroporto de Lisboa, onde está e está bem. O Montijo [a solução que está em estudo pelo Governo] é visto como uma oportunidade de criar mais espaço para a companhia na Portela”, explicou o mesmo responsável.

Em Faro, a procura cresceu 12% para 140 mil clientes. Para o Funchal, depois de uma subida de 15% no tráfego no exercício de 2016, há planos para ultrapassar a marca dos 500 mil passageiros no próximo ano “através de um forte crescimento nas rotas domésticas, mas também nas internacionais”.

A Madeira receberá 100 mil lugares anuais em 2017, parte dos quais na ligação a Basileia e num reforço da rota para Londres. Também será aumentada a capacidade nas frequências domésticas, para Lisboa e Porto.

Este aumento da oferta insere-se numa estratégia com vista a atingir “seis milhões de lugares oferecidos em Portugal, o que coloca o crescimento nos dois dígitos, em 10%, acima da média de crescimento global (entre os 6% e os 7%)”, afirmou José Lopes. Além dos 100 mil novos lugares no Funchal, estão previstos outros 200 mil em Lisboa e mais 150 mil em Faro e 100 mil no Porto, especificou o responsável.

Sobre as metas do lado do tráfego, a Easyjet não se compromete, por agora, com a possibilidade de alcançar seis milhões de passageiros em território nacional. “É algo que ainda teremos de analisar”, respondeu o director comercial da companhia.

José Lopes destacou o facto de a companhia “desempenhar um papel chave no crescimento do turismo em Portugal, também através da criação de emprego local”, já que emprega directamente 219 pessoas no país.

Criticou, no entanto, os sucessivos aumentos das taxas aeroportuárias, acusando a ANA de já ter feito subir os custos em 24% desde que foi privatizada ao grupo francês Vinci, em 2013. “Pela análise que fizemos, acreditamos que as taxas deveriam baixar, à semelhança do que tem sido feito noutros aeroportos da Europa, porque este modelo prejudica a competitividade porque reflecte-se no preço final”, considerou.