Taxa de desemprego desce para 10,5% no terceiro trimestre

População desempregada baixa para 549,5 mil pessoas. Emprego sobe em 59 mil.

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Nuno Alexandre Mendes

Depois de baixar para 10,8% no segundo trimestre, a taxa de desemprego voltou a cair no período de Julho a Setembro para 10,5% da população activa, recuando também o número de pessoas no desemprego de longa duração, de acordo com os dados trimestrais do mercado de trabalho divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A população desempregada recuou para 549,5 mil pessoas. São menos 9,8 mil pessoas do que nos três meses anteriores e menos 69,3 mil face ao nível de desemprego de um ano antes. O desemprego de longa duração diminui mas ainda há 347.200 cidadãos fora do mercado de trabalho há 12 meses ou mais tempo.

A taxa de desemprego dos jovens (dos 15 aos 24 anos) também recuou, mas continua a abranger mais de um quarto da população activa nesta faixa etária. Em 369,4 mil jovens, 96,5 mil estão no desemprego, o equivalente a uma taxa de 26,1%. Nos chamados jovens adultos (dos 25 aos 34 anos) o desemprego abrange 11,5%.

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Aumentar

O INE sublinha que do total de 2,2 milhões de jovens dos 15 aos 34 anos, “13,3% (301,7 mil) não estavam empregados, nem a estudar ou em formação (isto é, estavam desempregados ou eram inactivos)”.

Ao mesmo tempo em que o desemprego recuou, também se registou um crescimento no emprego, com um aumento de 59 mil postos de trabalho em relação ao trimestre anterior e mais 86,2 mil do que no período homólogo. A população empregada estimada pelo INE passou para 4661,5 mil pessoas. O número de pessoas no mercado de trabalho aumentou tanto nos homens como nas mulheres (a população masculina é de 2,4 milhões, a feminina passou para 2,26 milhões).

Apesar do aumento de 59 mil pessoas no mercado laboral, o que representa um acréscimo de 1,3%, há “uma desaceleração face ao crescimento trimestral que havia sido observado no segundo trimestre (89.200, 2%)”, detalha o INE.

A população activa aumentou para 5,2 milhões de pessoas, enquanto a população inactiva encolheu para cinco milhões.

O INE explica que o aumento do emprego se deveu “tanto ao fluxo líquido positivo do emprego com a inactividade (o número de pessoas que transitaram do emprego para a inactividade foi inferior, em 20,3 mil, ao de pessoas que transitaram da inactividade para o emprego), como – e sobretudo – ao fluxo líquido positivo do emprego com o desemprego (38,7 mil)”.

Do total de pessoas que se encontravam desempregadas entre Abril e Junho, “39,6% saíram dessa situação no terceiro trimestre de 2016: 22,9% tornaram-se empregados e 16,7% transitaram para a inactividade”.

Subemprego diminui

Tanto um aumentou o número de trabalhadores a tempo completo (são 4,1 milhões) como o de pessoas a trabalhar a tempo parcial (são 555.500). As estatísticas do INE permitem ainda ver que, entre estes, há 213,1 mil subdesempregados. Este é o universo de cidadãos que, no inquérito do INE, declararam querer trabalhar mais horas e se mostraram disponíveis para isso no período de referência do inquérito ou nas duas semanas seguintes.

O subemprego de trabalhadores a tempo parcial diminuiu 3,1% em relação ao trimestre homólogo, o equivalente a 7000 indivíduos; em relação ao trimestre anterior diminuiu 5,3%, em 12.100 pessoas. Agora, “corresponde a 4,6% da população empregada total e a 38,4% da população empregada a tempo parcial (note-se que o número de trabalhadores a tempo parcial, no mesmo período, correspondia a 11,9% da população empregada total)”.

O Governo prevê que o nível de desemprego este ano seja de 11,2%, segundo a projecção mais recente, inscrita na proposta de Orçamento do Estado para 2017, e onde o executivo, face à evolução do mercado de trabalho, aponta para um valor mais baixo do que a previsão do Plano de Estabilidade, entregue à Comissão Europeia em Abril.

Os dados de hoje, trimestrais, não devem ser confundidos, nem podem ser directamente comparados, com as estatísticas mensais que o INE publica todos os meses sobre o mercado de trabalho.

Os dados trimestrais não são ajustados de sazonalidade e consideram um universo de população distinto. Enquanto as estatísticas mensais consideram o grupo dos 15 aos 74 anos, os valores trimestrais analisam a população com 15 e mais anos, em linha com os conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Nos dados mensais, os valores mais recentes são relativos a Setembro, mas ainda provisórios (e por isso sujeitos a revisão). Nessa primeira estimativa, o INE aponta para uma redução do desemprego para os 10,8%.

Nesses dados, os valores referem-se a trimestres móveis: há um mês de referência, que corresponde ao mês central desse período (neste caso Setembro), sendo ainda tidos em conta valores de Agosto e dados projectados para o mês de Outubro. Com Raquel Martins