Dom La Nena põe no novo disco “um leque de culturas, línguas e emoções”

Cantora e violoncelista brasileira traz ao Misty Fest um novo disco onde canta Lupicínio, Brel, Violeta Parra e Beirut. Ao vivo, estará esta quarta-feira em Évora, dia 10 no Porto e dia 12 nos Açores.

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Dom La Nena: "O violoncelo é como uma voz para mim" JEREMIAH

Dom La Nena reincide no Misty. E se em 2015 trazia Soyo, um disco acabado de lançar, agora traz um EP que ainda não chegou à lojas portuguesas, Cantando. São quatro temas nas quatro línguas que atravessam a sua vida desde sempre: português, inglês, espanhol e francês Scenic World, que Zach Condon compôs para a sua banda Beirut; Felicidade, de Lupicínio Rodrigues; Gracias a la vida, de Violeta Parra; e Les Vieux, de Jacques Brel.

“São quatro canções”, diz ela” “que eu já vinha fazendo nos shows e que me deu vontade de gravar. Cada uma fala de diferentes sentimentos, como se fosse um leque de culturas, línguas, emoções. A escolha foi bem natural, porque são canções que já estavam maduras dentro de mim, algumas eu canto até desde criança, como Felicidade, por exemplo.”

Violoncelista, cantora e compositora, Dom La Nena (nome artístico de Dominique Pinto) nasceu em Porto Alegre, Brasil, a 28 de Julho de 1989, filha de um professor de filosofia e de uma psicanalista, ambos amantes de música. Começou a estudar piano aos 4 anos, adorou a experiência, mas aos 8 anos quis exercitar-se num novo instrumento: E teve, aqui, incentivo de um professor da sua escola. Começou a aprender violoncelo pelo método Suzuki, mudou-se para Paris, onde estudou no Conservatório, voltou ao Brasil, conseguiu continuar a estudar violoncelo em Buenos Aires e quando regressou a Paris, aos 18 anos, foi convidada a tocar com cantores como Jane Birkin ou Étienne Daho. La Nena, nome sob o qual grava desde o seu primeiro disco, em 2012 (Ela), foi uma alcunha que lhe puseram no conservatório argentino: a bebé, a miúda. Assim ficou, até hoje.

Nesta edição do Misty Fest, Dom La Nena actua primeiro em Évora (esta quarta-feira, no Teatro Garcia de Resende, pelas 21h30), depois no Porto (dia 10, na Casa da Música, às 21h) e por fim em Ponta Delgada, nos Açores (dia 12, no Teatro Micaelense, às 21h30).

No disco, há só voz e violoncelo. “Eu quis deixar os arranjos bem puros. E o violoncelo é como uma voz para mim. Quis fazer uma coisa muito íntima com essas canções, por fazerem parte da minha memória afectiva e principalmente para valorizar a letra, a beleza da canção.” Esta intenção repete-se nos palcos, onde ela se apresenta sozinha, só voz, violoncelo e outros instrumentos que vai manipulando ao correr do espectáculo. “Estou sozinha em palco”, diz Dom. “É um ambiente muito parecido com o do EP, na verdade. E cria uma relação de intimidade, de empatia, de cumplicidade, que é realmente única.”