Ministério da Cultura e museu garantem que danos causados à estátua são "reversíveis"

Escultura em madeira vai ser restaurada pelos serviços do Museu Nacional de Arte Antiga após derrube acidental por um visitante.

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Imagem da estátua derrubada DR
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A escultura Arcanjo São Miguel fotografada em Julho, na véspera da inauguração das novas galerias de escultura e pintura portuguesas Nuno Ferreira Santos
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O Arcanjo São Miguel antes do acidente DGPC

Paula Silva, directora-geral do Património, e um dos seus subdirectores, David Santos, estiveram hoje reunidos com o director do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, e com o seu adjunto, José Alberto Carvalho, para fazer uma avaliação mais aprofundada aos danos causados à escultura derrubada acidentalmente por um turista no domingo e para se inteirarem do sucedido. Carvalho disse ao PÚBLICO que “os danos são recuperáveis” e que “o corpo central do Arcanjo São Miguel não sofreu danos aparentes”.

“Há várias zonas com fracturas. Não foi só desencaixe, mas uma fractura”, explicou o director-adjunto, acrescentado que apesar da parte central estar inteira as asas, uma parte do manto e um dos braços ficaram separados com a queda desta escultura do século XVIII do plinto em que estava exposta no terceiro piso. A obra, com quase dois metros de altura, é de autor desconhecido, mas foi realizada numa oficina lisboeta. Feita em madeira na segunda metade do século XVIII, dourada e policromada, ainda não é possível saber que danos sofreu a decoração estofada e pintada, mas "aparentemente a policromia não saltou".

A recuperação, adiantou, vai ser feita no museu, tal com tinha já acontecido antes de a peça ser restaurada para a reabertura do terceiro piso do Museu de Arte Antiga. “É um restauro difícil, mas não é problemático do ponto de vista técnico.”

O Ministério da Cultura também garantiu, igualmente, no domingo à noite, que a escultura vai ser restaurada. Teresa Bizarro, assessora do ministro da Cultura, adiantou à Lusa que, após o acidente, uma primeira avaliação concluiu que os "danos são de fácil reparação". 

Nos próximos dias, diz o Ministério da Cultura em comunicado, e após relatório do museu, "a Direcção Geral do Património Cultural avaliará em detalhe os danos e a necessidade de alterar a musealização da exposição, que foi inaugurada este Verão, por forma a prevenir acidentes".

"O acidente ocorreu quando o visitante, estando a fotografar uma outra obra, recuou sem olhar, não parou apesar dos alertas do vigilante, e foi contra a peça que se encontrava em cima de um plinto", acrescenta o comunicado do Ministério da Cultura. 

A assessora admitiu à Lusa que, nos próximos dias, a direcção do museu irá analisar o caso com maior profundidade, podendo inclusivamente escolher outro local para expor a estátua. José Alberto Seabra disse ao PÚBLICO que a situação na sala vai ser reavaliada para que não haja mais acidentes, mas acrescentou que ainda não sabe se a disposição da sala precisa de ser alterada.

Teresa Bizarro assegurou que este acidente "não tem nada a ver" com o alerta lançado em Setembro pelo director do MNAA, António Filipe Pimentel, que avisou que "um destes dias há uma calamidade no museu" porque se anda a "brincar ao património", acrescentando que as tutelas dispunham de toda a informação cabal.

Dia "triste"

O alerta sobre as condições do MNAA foi deixado na Escola de Quadros do CDS-PP, num painel dedicado à cultura em que participou também Pedro Mexia, consultor para a área cultural do Presidente da República.

Ainda no domingo, o director do museu, através da rede social Facebook, lamentou o sucedido e reafirmou a sua confiança na equipa da casa, garantindo que, em breve, a peça será devolvida ao público. "Hoje foi um domingo triste. Um acidente tolo, por parte de um visitante, decerto encantado mas incauto, danificou uma escultura, cuja presença aérea e grácil (o Arcanjo São Miguel), na sua posição central - como estátua em pequena praça - como que coroava a sala dedicada ao Barroco na Galeria de Pintura e Escultura Portuguesas do MNAA", escreveu Pimentel, para em seguida lembrar o projecto de reabertura do Piso 3, que permitiu renovar por completo as galerias de pintura e escultura portuguesas, atendendo a "cada detalhe" e contando com o empenho de toda a equipa da casa e o apoio de mecenas que tornaram possível o restauro de mais de 100 peças. 

O Arcanjo São Miguel agora danificado faz parte do lote das obras restauradas, no caso graças ao mecenato da Galerie Tiago, de Paris, precisa o director antes de concluir com uma nota de optimismo: "Com a grande equipa, uma vez mais, confio que será possível reverter os danos e, em pouco tempo, devolver aos públicos o belo São Miguel no seu renovado esplendor."

Maria João Vilhena, conservadora de escultura do MNAA, esteve precisamente toda a manhã com as técnicas de conservação e restauro a analisar o estado em que ficou a escultura ontem derrubada. Agora a equipa do museu vai fazer um relatório técnico que, em breve, será entregue à tutela – a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) – e distribuído aos jornalistas, explicou ao início da tarde Paula Brito Medori, assessora de comunicação de Arte Antiga.

O PÚBLICO procurou ainda saber quantos visitantes teve ontem o museu e quantos vigilantes havia nas 13 salas do Piso 3, integralmente dedicadas à pintura e escultura portuguesas, mas a assessora limitou-se a informar que, habitualmente, no primeiro domingo de cada mês, em que a entrada é gratuita, passam pelo museu entre 1500 e 2000 pessoas, remetendo para a DGPC quaisquer esclarecimentos adicionais sobre o incidente de domingo. 

Segundo os últimos dados a que o PÚBLICO teve acesso, o MNAA, com as suas 82 salas de exposição, tem nos seus quadros 64 funcionários, 20 dos quais vigilantes.