Namoro entre PSD e CDS estará de volta, agora na Câmara de Lisboa?

O coordenador do programa do PSD à Câmara de Lisboa não vê como impossível uma coligação com o CDS. Embora não seja esse o caminho que está a ser traçado, nenhum dos partidos afastou “liminarmente” a hipótese e “não foi por acaso”.

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José Eduardo Martins é o coordenador do programa autárquico do PSD a Lisboa ADRIANO MIRANDA

Depois dos elogios do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, à líder centrista, Assunção Cristas, numa entrevista que deu ao PÚBLICO em Outubro, agora é a vez de o coordenador do programa dos sociais-democratas para Lisboa, José Eduardo Martins, deixar a porta aberta a uma coligação na capital entre os dois partidos, nas próximas eleições autárquicas.

José Eduardo Martins fá-lo numa entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal i. Quando questionado sobre se “seria bom para o PSD apoiar uma candidatura do CDS” e se essa hipótese se coloca, o coordenador do programa autárquico do PSD para Lisboa responde: “Já aconteceu no passado, pode voltar a acontecer no futuro.”

Ou seja, depois de terem governado o país em conjunto, a dupla PSD-CDS, desfeita após as últimas eleições legislativas, pode voltar à cena política, mas desta vez na autarquia de Lisboa: “O PSD e o CDS acabaram de vir de uma experiência governativa em conjunto, os dois líderes têm, além de estima política, estima pessoal. Sinceramente, acho que não é por aí que caminhamos, mas não vejo isso como impossível”, diz José Eduardo Martins.

O responsável acrescenta que “ninguém” afastou essa hipótese “liminarmente e não foi por acaso”. Nem da parte dos centristas, nem da parte dos sociais-democratas, explica. “A dra. Assunção Cristas disse uma coisa com a qual concordo em absoluto: se o CDS tivesse uma candidatura apoiada pelo PSD estaria a discutir a presidência da Câmara. Não sendo uma candidatura apoiada pelo PSD, o CDS não está a discutir a presidência da Câmara”, nota, não deixando de mostrar satisfação com esta leitura. “Fico muito contente que ela tenha essa noção da realidade porque houve outros líderes do CDS que tinham pouca noção dos seus limites e isso não beneficiava ninguém”, justifica, desconhecendo, no entanto, que haja conversas entre os dois partidos neste sentido.

Que ganhe PSD mas que CDS também não perca

A 22 de Outubro, em entrevista ao PÚBLICO, Passos Coelho já se referia a Assunção Cristas em tom bastante elogioso. “A minha relação com a drª Assunção Cristas é muito boa”, dizia Passos, confirmando que falam regularmente. E avaliava assim a liderança da centrista: “Julgo que o sucesso da drª Assunção Cristas à frente do CDS nunca será um engulho para o PSD. E, portanto, desejo sinceramente que ela consiga afirmar-se também à frente do CDS, como se afirmou no Governo. É uma pessoa que tem grandes qualidades, políticas também, evidentemente. Julgo que tem condições de exercer muito bem a sua liderança do CDS.”

Mesmo quando questionado sobre se também espera que Cristas tenha “grande sucesso” na Câmara de Lisboa, Passos deu duas respostas numa só (e que só aparentemente se contradizem): “Espero que o PSD possa ganhar a Câmara de Lisboa, evidentemente. Não quero com isto dizer que deseje a derrota dela. Eu tenho admiração pela decisão que ela tomou de se candidatar à Câmara de Lisboa.”

Na mesma entrevista em que afastava a possibilidade de ser candidato a uma autarquia, Passos fazia questão de “vincar muito bem o que é digno de registo, de admiração” – “a coragem política da drª Assunção Cristas ao ter decidido candidatar-se” à autarquia.

Na entrevista desta sexta-feira ao jornal i, o cenário de Pedro Santana Lopes ser o “candidato natural” do PSD voltou a ser colocado. Questionado sobre a hipótese de Santana não avançar, José Eduardo Martins responde: “Há imensas possibilidades de candidatos dentro do partido e os responsáveis na altura tomarão a decisão que se impuser.”

José Eduardo Martins contou ainda que conhece Passos Coelho há 30 anos, admitiu que os dois se desentenderam “sobre um conjunto de coisas em 1993” e não voltaram a trabalhar juntos. Porém, ressalva, tal não os impede de terem “uma relação cordial” nem de serem francos um com o outro. José Eduardo Martins diz mesmo que Passos Coelho, que “tem qualidades que são muito pouco comuns na maioria dos políticos” em Portugal, “é das pessoas que se mantiveram mais seriamente coerentes ao longo do seu percurso de vida e isso é um grande valor”.