Rui Soares
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A direita de “cabeça perdida”

A deputada do PSD Berta Cabral insultou, em plena Assembleia da República, de forma vergonhosa, toda uma geração que foi duramente sacrificada pelo governo PSD/CDS

O PSD chegou ao fim da linha no debate sobre o Orçamento do Estado de 2017. Após uma intervenção do deputado do PS e secretário-geral da JS João Torres, Berta Cabral, deputada do PSD, disse “a sua geração é que está de cabeça perdida.” Tentou por três vezes desdizer e tentar corrigir o que disse.

A deputada do PSD insultou, em plena Assembleia da República, de forma vergonhosa, toda uma geração que foi duramente sacrificada pelo governo PSD/CDS, que integrou.

O que Berta Cabral disse é claro como água: é a visão que a direita tem deste país e das gerações mais novas. Dizê-lo desta forma foi apenas, como diz o ditado popular, um “fugir a boca para a verdade”. A direita nunca respeitou e demonstra, assim, que continua a não respeitar os mais jovens.

O seu governo foi dos que mais desinvestiu na escola pública. Foi o governo que promoveu a política do estágio infinito e da bolsa de estudo que nunca mais chega.

Foi o governo que retirou direitos laborais e desincentivou a contratação colectiva. Foi o governo que desprezou a investigação científica. Foi o governo que nos convidou, a alto e bom som e mais que uma vez, a emigrar.

Talvez porque já não fazíamos cá falta. Mas um governo que convida a sua geração mais qualificada a sair do país, ou que a única coisa que tem para oferecer a esta geração são estágios infinitos, falsos recibos verde ou precariedade "porque sempre é melhor que o desemprego", é um governo que não sairá tão cedo da memória colectiva.

Depois de tudo o que este governo de direita fez, ainda ter a distinta lata de dizer que nós é que estamos de cabeça perdida porque rejeitamos esse caminho e conseguimos iniciar uma rota diferente é ainda mais insultuoso. Ainda para mais vindo de uma dirigente partidária envolvida em tráfico de influência, corrupção e fraude.

A expressão utilizada por Berta Cabral encerra em si mesmo a visão estrutural que a direita tem do país, dos portugueses e do posicionamento de Portugal na Europa e no Mundo: somos e seremos um país e uma economia subserviente dos interesses e necessidades do centro da Europa.

Só demonstra o quanto a direita na oposição está de cabeça perdida, não sabe o que dizer a não ser continuar a negar a realidade que deixaram e insultar quem demonstra resultados positivos com políticas mais positivas. A direita, na oposição, não tem proposta política, nem tem vergonha em insultar aqueles a quem andou a destruir sonhos e o futuro.

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