Detidos seis militares por suspeitas de corrupção na Força Aérea

Os prejuízos para Estado podem chegar aos dez milhões de euros, de acordo com a Polícia Judiciária. Esquema duraria há vários anos.

Imagem de arquivo da base aérea de Monte Real
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Imagem de arquivo da base aérea de Monte Real DR

A Polícia Judiciária (PJ) deteve seis militares suspeitos de corrupção passiva, corrupção activa e falsificação de documentos, no decorrer das buscas iniciadas esta quinta-feira nas instalações da Força Aérea. Os detidos são um major, dois capitães e três sargentos, confirmou ao PÚBLICO fonte da PJ. Ao final da manhã desta quinta-feira, aquela polícia garantiu em comunicado que tinham sido detidos cinco militares, mas já a meio da tarde foi feita outra detenção. A operação ainda decorria ao início da noite.

Para o Estado, os prejuízos deste esquema, que duraria há vários anos, podem ascender aos dez milhões de euros, estima a PJ. "A actividade criminosa consistia na facturação de géneros alimentícios fornecidos à Força Aérea por um valor muito superior ao dos géneros efectivamente fornecidos, sendo a diferença posteriormente distribuída, entre as empresas fornecedoras e os militares envolvidos neste esquema fraudulento que, poderá ter lesado o Estado num valor que, segundo se estima, poderá rondar os dez milhões de euros", diz o comunicado da PJ.

De acordo com fonte policial, os detidos trabalhariam no Estado-Maior da Força Aérea, onde se localizam os departamentos onde é possível ter acesso ao Sistema Integrado de Gestão da Força Aérea, através do qual são efectuadas as compras e registada a facturação. Neste caso, está em causa uma situação de sobrefacturação.

"Com a concordância destes intervenientes, os fornecedores de diversas empresas entregariam determinadas quantidades de alimentos, mas o valor facturado no final de cada mês seria cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade. A diferença entre o valor facturado e o dos produtos efectivamente fornecidos seria dividida pelos elementos envolvidos", explica a Procuradoria-Geral da República em comunicado.

Esta investigação já decorria pelo menos desde 2015, no seguimento de uma denúncia anónima, e começou por ser conduzida pela Polícia Judiciária Militar, mas dada a dimensão que o caso tomou foi necessário alargá-la e envolver também a Polícia Judiciária civil.

A acção contou com 180 buscas, em simultâneo em 12 bases militares - sobretudo a equipamentos militares na Grande Lisboa, Beja e em Leiria -, em 15 empresas e em diversos domicílios, detalha a PJ em comunicado. As autoridades acrescentam que "foram apreendidas elevadas quantias em dinheiro, que se presume sejam produto da prática dos crimes, bem como outros elementos de grande relevância investigatória".

Segundo a Procuradoria-Geral da República, participaram na denominada Operação Zeus 27 magistrados do Ministério Público (MP), cerca de três centenas de elementos da PJ, cerca de quatro dezenas de elementos da Polícia Judiciária Militar e 30 peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística e da Unidade de Tecnologia e Informação da PJ, num total de cerca de 400 pessoas envolvidas.

A PJ detalha que a operação estava a ser desenvolvida há um ano e meio e sublinha que contou "desde o início da investigação com a colaboração, ao mais alto nível, da Força Aérea". Por seu lado, a Força Aérea confirmou, através de comunicado enviado às redacções ao início da tarde, que está a colaborar com as investigações.

Os detidos irão ser presentes às autoridades judiciárias competentes para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.