Quando o burro de Costa ganhou ao Ferrari, mas Costa perdeu. Salvou-se o casaco

Iniciativa que o PSD organiza nesta sexta-feira repete ideia de António Costa de 1993.

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Paulo Carriço

Regressemos a 1993 e à alfacinha Calçada de Carriche, na altura uma das mais complicadas entradas em Lisboa. Mário Soares era o Presidente da República, Cavaco Silva o primeiro-ministro (no segundo governo) e António Guterres o secretário-geral do PS. O ano era de autárquicas e o PS lançava um jovem mas já muito activo socialista na corrida à Câmara de Loures, um bastião comunista: o deputado António Costa, 33 anos na altura.

Costa apresentava como principal trunfo a exigência da extensão da linha de Metro até Odivelas, de forma a combater as caóticas filas de carros que todos os dias enchiam a Calçada de Carriche, que liga Loures a Lisboa.

O candidato socialista teve então uma ideia que marcaria as autárquicas de 1993 e ficaria para a história da política portuguesa. Uma corrida entre um burro e um Ferrari, calçada acima, para mostrar que tinha de ser arranjada uma solução para os engarrafamentos permanentes naquela via.

A comunicação social e os populares compareceram em força. Costa alinhou o burro ao lado do Ferrari e, com uma bandeira xadrez, deu a partida. O burro cinzento montado por um jovem cavaleiro chegou ao fim do percurso cinco minutos antes do bólide de 300 cavalos.

A inovadora corrida não foi suficiente para dar a vitória a Costa naquela autarquia. Seria derrotado por Demétrio Alves da CDU (PCP-PEV), que iria cumprir o segundo mandato à frente de Loures.

A fotografia da altura confirma ainda que o actual primeiro-ministro é um homem poupado com a roupa que usa. O casaco verde aos quadrados que envergava ainda hoje o usa, como o podem provar algumas fotos recentes.